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Março Azul alerta para avanço do câncer colorretal

Campanha reforça importância da prevenção e diagnóstico precoce diante do aumento de casos em adultos mais jovens.

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
19/03/2026 às 23h21
Março Azul alerta para avanço do câncer colorretal
Imagem de Freepik

O câncer colorretal tem se consolidado como um dos principais desafios de saúde pública no Brasil e no mundo. A campanha Março Azul, dedicada à conscientização sobre a doença, ganha ainda mais relevância diante do aumento de casos diagnosticados em adultos mais jovens, especialmente na faixa entre 30 e 45 anos.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), para cada ano do triênio 2023/2025, o país diagnosticou quase 46 mil novos casos de câncer colorretal, sendo 21.970 em homens e 23.660 em mulheres. A doença é a segunda mais comum no Brasil, atrás apenas dos cânceres de mama (73.610 casos) e de próstata (71.730 casos), quando excluído o câncer de pele não melanoma (102 mil casos em homens e 118 mil em mulheres).

Um estudo da Fundação do Câncer projeta ainda um aumento de 21% nos novos casos entre 2030 e 2040, passando de 58.830 para 71.050 diagnósticos. Para o cirurgião do aparelho digestivo e coloproctologista do Instituto Medicina em Foco, Dr. Rodrigo Barbosa, o crescimento da incidência em adultos jovens é multifatorial.

"Hoje, a literatura aponta uma combinação de piora da qualidade alimentar, maior consumo de ultraprocessados, obesidade, sedentarismo, alterações do microbioma intestinal, consumo de álcool, distúrbios metabólicos e possíveis exposições ambientais mais precoces. Também não podemos esquecer os fatores hereditários, como síndrome de Lynch e polipose adenomatosa familiar. Não existe uma única causa: trata-se de uma doença que resulta da interação entre predisposição biológica e mudanças no estilo de vida moderno", explica.

De acordo com o cirurgião, a alimentação é um dos fatores mais relevantes na prevenção da doença. "Hoje já existe evidência robusta de que carnes processadas aumentam o risco de câncer colorretal, e estudos recentes também associam o consumo de ultraprocessados a maior risco de lesões precursoras", informa Barbosa.

Sinais de alerta ajudam na prevenção

Embora o exame de colonoscopia seja o mais eficaz na detecção do câncer de intestino, permitindo a visualização detalhada da mucosa intestinal e a identificação precoce de lesões, algumas evidências não devem ser ignoradas no dia a dia.

Segundo o médico endoscopista do Instituto Medicina em Foco, Dr. Daniel Alvarenga, sinais específicos como sangue nas fezes, alteração persistente do hábito intestinal, diarreia ou constipação sem explicação clara, dor abdominal recorrente, perda de peso sem causa aparente, cansaço importante e anemia por deficiência de ferro podem ser indícios da doença.

"Em adultos jovens, o erro mais comum é banalizar esses sinais por tempo demais. O intestino dá aviso. O que não pode acontecer é conviver por meses com sintomas recorrentes e achar que é normal sem avaliação adequada", reforça.

O especialista destaca ainda que, em pacientes mais jovens, o diagnóstico costuma acontecer mais tardiamente. "Muitas vezes, os sintomas são atribuídos a condições benignas, como hemorroidas ou síndrome do intestino irritável. Isso faz com que uma parcela relevante chegue ao especialista em fases mais avançadas. Além disso, observamos maior frequência de tumores no reto e características histológicas mais agressivas em parte desses pacientes", comenta.

Quando os sintomas persistem ou se repetem, Dr. Daniel Alvarenga orienta que a investigação médica não deve ser adiada. "Sangramento, mudança duradoura do hábito intestinal, anemia, emagrecimento e histórico familiar são motivos claros para aprofundar a avaliação. O exame mais importante nesses casos é a colonoscopia, porque permite visualizar o cólon e o reto diretamente, fazer biópsias e até remover pólipos", detalha.

De acordo com o Dr. Rodrigo Barbosa, as orientações práticas para reduzir o risco incluem manter peso adequado, praticar atividade física regular, reduzir o consumo de carnes processadas e ultraprocessadas, aumentar a ingestão de fibras, vegetais e frutas, moderar o consumo de álcool, não fumar e realizar rastreamento no momento correto.

"Para a população de risco habitual, diretrizes internacionais recomendam iniciar o rastreamento aos 45 anos. Em pessoas com histórico familiar ou síndromes hereditárias, essa avaliação pode precisar começar antes", enfatiza.

A conscientização é apontada como decisiva para reduzir o impacto da doença. Campanhas como o Março Azul ajudam a quebrar preconceitos em torno dos sintomas intestinais, aumentar a procura por avaliação e reduzir o atraso no diagnóstico.

"Em pacientes jovens, informar bem significa mudar a chave: não é para gerar pânico, mas para criar atenção clínica. Quanto mais cedo a doença é suspeitada e investigada, maior a chance de tratamento curativo", conclui o coloproctologista.

Para saber mais sobre prevenção, diagnóstico e acompanhamento especializado, basta acessar o site do Instituto Medicina em Foco.

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