
O planeta acaba de fechar um ciclo alarmante: os últimos 11 anos foram, consecutivamente, os mais quentes já registrados na história da humanidade. Segundo o relatório "State of the Global Climate 2025", divulgado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) nesta segunda-feira (23 de março de 2026), o ano de 2025 consolidou-se como o segundo ou terceiro mais quente desde o início das observações, mantendo uma sequência de temperaturas excepcionalmente altas.
Embora a temperatura da superfície tenha sido ligeiramente inferior à de 2024 (o ano recordista absoluto), os outros indicadores climáticos dispararam. O calor dos oceanos e as concentrações de dióxido de carbono na atmosfera atingiram níveis nunca antes vistos, enquanto o gelo marinho no Ártico e na Antártida permanece em patamares mínimos históricos.
Pela primeira vez, o relatório da OMM incluiu uma métrica técnica crucial: o Desequilíbrio Energético da Terra (EEI). Diferente da temperatura da superfície, que pode oscilar devido a fenômenos temporários como o El Niño ou erupções vulcânicas, o EEI mede a diferença entre a energia que chega do Sol e a que consegue retornar ao espaço.
Em 2025, esse indicador atingiu seu ponto mais alto desde 1960. Na prática, isso significa que a Terra está retendo muito mais calor do que consegue liberar.
O papel dos oceanos: Cerca de 91% de todo o excesso de calor gerado desde a década de 1970 foi absorvido pelos oceanos.
Atmosfera: Apenas 1% desse calor extra permanece na atmosfera. Por isso, especialistas como Thomas Mortlock, da UNSW Sydney, alertam que focar apenas na temperatura do ar pode ser enganoso para entender a real gravidade do aquecimento global.
Para os cientistas, os dados sugerem que o mundo entrou em uma "nova era" de temperaturas permanentemente elevadas. Sarah Perkins-Kirkpatrick, da Universidade Nacional Australiana, destaca que a mudança observada nos últimos três anos foi um "salto de patamar" que só pode ser explicado pelas mudanças climáticas antropogênicas.
O relatório serve como um alerta final para a necessidade de cortes drásticos nas emissões. Com o planeta cada vez mais "fora de equilíbrio", os eventos extremos — como os incêndios devastadores vistos na Califórnia no início de 2025 — tendem a se tornar a norma, e não a exceção.
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