
A manhã deste domingo (29) foi marcada por um clamor por justiça no coração de Brasília. Amigos e familiares de Rodrigo Castanheira, o jovem de 16 anos morto após uma agressão em janeiro, realizaram uma caminhada da Torre de TV até a sede do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). O objetivo central do ato é pressionar as autoridades para que a investigação não se limite apenas ao ex-piloto Pedro Turra, mas alcance todos os jovens que o acompanhavam no dia do crime.
Vestidos de branco e carregando cartazes com o rosto de Rodrigo, cerca de 50 manifestantes ouviram o desabafo emocionado do pai da vítima, Ricardo Castanheira. Segundo a família e o advogado Albert Halex, existem evidências de que o crime foi premeditado. Mensagens trocadas entre o grupo sugerem que eles teriam ido ao local com a intenção deliberada de agredir o adolescente, configurando o que a defesa chama de "atuação em bando".
A manifestação ocorre apenas dois dias após o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Messod Azulay, negar o sétimo pedido de habeas corpus de Pedro Turra. Na decisão, o magistrado foi enfático ao pontuar que a manutenção da prisão é necessária, uma vez que o ex-piloto teria tentado combinar versões e manter contato com testemunhas para atrapalhar o curso das investigações.
Para a família, a conduta de Turra reforça a necessidade de indiciar os outros quatro ocupantes do veículo. A defesa alega que esse grupo já participou de outras agressões anteriores, caracterizando um modus operandi recorrente. "A gente só precisa de justiça. Precisamos saber por que o grupo não foi indiciado", questionou o pai de Rodrigo durante o ato no trio elétrico.
Além da esfera criminal, o caso gerou uma movimentação legislativa no Congresso Nacional. O tio da vítima, Flavio Henrique Fleury, cobrou celeridade na tramitação do PL 555/2026, apresentado pela senadora Damares Alves. O projeto prevê o aumento rigoroso de penas para homicídios e lesões corporais cometidos contra crianças e adolescentes.
A proposta, que ganhou apoio de figuras políticas como o senador Flávio Bolsonaro, aguarda análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. Rodrigo Castanheira faleceu em 7 de fevereiro, após lutar pela vida por 10 dias na UTI de um hospital em Águas Claras. Para os familiares, a aprovação da lei e a punição de todos os envolvidos são os únicos caminhos para que a tragédia não caia no esquecimento e sirva de exemplo contra a impunidade no DF.
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