
O brasiliense acordou nesta quinta-feira (2/4) sob um cenário cinematográfico e desafiador. Um forte nevoeiro cobriu diversas Regiões Administrativas (RAs) do Distrito Federal, reduzindo drasticamente a visibilidade em pontos icônicos da capital e exigindo atenção redobrada de motoristas e pedestres. O fenômeno, embora visualmente impressionante, trouxe impactos diretos na logística urbana e no transporte aéreo.
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o episódio é um reflexo direto da chegada do outono, estação que teve início no último dia 20 de março. A combinação entre as baixas temperaturas registradas durante a madrugada e a alta taxa de umidade relativa do ar criou a "nuvem de solo" que "apagou" o topo dos prédios no Plano Piloto e em cidades como Águas Claras e Taguatinga.
A densidade da neblina foi tamanha que a Inframerica, concessionária responsável pelo Aeroporto Internacional de Brasília, informou que o terminal passou a operar por instrumentos desde as 5h02. Essa medida é um protocolo de segurança padrão para garantir que pousos e decolagens ocorram sem riscos quando a visão horizontal é limitada.
Apesar da restrição técnica, a gestão do aeroporto não registrou cancelamentos em massa ou atrasos significativos até o início da manhã. No entanto, a orientação para quem tem viagens marcadas é monitorar o status dos voos, já que o tempo de resposta das aeronaves em solo pode ser levemente ampliado sob estas condições climáticas.
Para quem espera que o sol dissipe rapidamente o cinza, o Inmet alerta: o dia deve permanecer com muitas nuvens. A previsão meteorológica aponta para pancadas de chuva isoladas ao longo de toda a quinta-feira. A umidade relativa do ar, que chegou a 95% nas primeiras horas, deve oscilar até a mínima de 60% no período da tarde, mantendo o clima ameno.
As temperaturas devem variar entre a mínima de 17°C e a máxima de 26°C. Esse padrão é típico do outono no Planalto Central, caracterizado por manhãs mais frescas e a transição gradual para o período de estiagem, embora o alerta para chuvas intensas em estados vizinhos ainda mantenha o DF em estado de atenção para precipitações repentinas.
O trânsito nas principais vias, como o Eixão, a EPTG e a Estrutural, foi impactado pela lentidão natural causada pela falta de visibilidade. Especialistas em segurança viária reforçam que, em situações de nevoeiro, o uso do farol baixo é obrigatório, enquanto o farol alto deve ser evitado, pois a luz reflete nas gotículas de água e ofusca ainda mais o condutor.
Além disso, a recomendação é manter uma distância segura do veículo à frente e evitar freadas bruscas. A pista molhada, somada à neblina, aumenta o risco de engavetamentos. O GDF, por meio dos órgãos de trânsito, segue monitorando os principais pontos de retenção para garantir a fluidez possível em uma manhã onde a capital "desapareceu" entre as nuvens.
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