
O Distrito Federal registra mais um capítulo trágico de violência de gênero. Na noite desta sexta-feira (3/4), Bruna Stephanie Brandão foi assassinada com uma facada no pescoço dentro de sua própria casa, no Riacho Fundo II. O autor do crime, Elenilton Bezerra, ex-companheiro da vítima, viajou de Caldas Novas (GO) com o pretexto de visitar o filho do casal, de apenas 2 anos, mas acabou executando a mulher após uma discussão motivada por ciúmes.
De acordo com as investigações da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), Elenilton teria ficado enfurecido ao encontrar o atual namorado de Bruna na residência. Em um ato de extrema covardia, ele se apossou de uma faca de cozinha e desferiu um golpe fatal na região do pescoço da vítima. Vizinhos, alertados pela confusão, acionaram o SAMU, que levou Bruna à UPA do Riacho Fundo II, mas ela não resistiu à gravidade do ferimento.
Embora Elenilton tenha alegado em depoimento que agiu em legítima defesa por acreditar estar em uma "emboscada", áudios obtidos pela coluna Na Mira desmentem a versão de falta de intenção. Nas gravações, o criminoso insulta Bruna, chama-a de "casinheira dos infernos" e afirma que deveria ter "metido bala na cara" do atual companheiro dela. As ameaças se estenderam até à mãe da vítima, demonstrando um comportamento possessivo e violento.
Elenilton fugiu da cena do crime levando a arma branca, mas foi localizado e preso em flagrante pela Polícia Militar (PMDF) horas depois, em Samambaia. Na delegacia, ele se negou a revelar onde descartou a faca. O histórico do agressor já acumulava passagens por violência doméstica e ameaça contra outra mulher em 2019, além de citações em processos de tentativa de homicídio em Goiás.
O crime deixa marcas profundas e irreparáveis. Bruna Stephanie era mãe de três filhos, de 18, 5 e 2 anos. O caçula presenciou o momento em que a mãe foi atacada pelo próprio pai, um trauma que mobiliza agora o acompanhamento psicossocial do Conselho Tutelar e da rede de proteção do DF. A morte de Bruna engrossa as estatísticas de feminicídio na capital, evidenciando que a fiscalização de medidas protetivas e o monitoramento de agressores vindos de outros estados continuam sendo gargalos críticos.
O caso será processado como feminicídio qualificado por motivo fútil e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. A defesa do acusado tenta sustentar a tese de "violenta emoção", mas os áudios e o histórico criminal de Elenilton apontam para uma ação premeditada. Bruna torna-se mais um nome em uma lista que o Distrito Federal luta para estancar, enquanto o agressor permanece à disposição da justiça no sistema prisional da Papuda.
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