
O Distrito Federal amanheceu em luto e indignação com os detalhes sobre a identidade de Bruna Stephanie Freitas Brandão, de 36 anos, a mais recente vítima de feminicídio na capital. Mãe de três filhos — de 18, 5 e 2 anos —, Bruna era descrita por amigos e familiares como uma mulher simples, humilde e profundamente dedicada à criação de seus meninos. Nas redes sociais, o orgulho pelo filho mais velho era evidente em postagens que agora servem de memória para uma família destroçada pela violência de gênero.
A tragédia, ocorrida na noite desta sexta-feira (3/4) no Riacho Fundo II, revela as falhas persistentes no sistema de proteção à mulher. Bruna já havia vivido com o agressor, Elenilton Pereira Bezerra, em Caldas Novas (GO), onde chegou a obter uma medida protetiva de 180 dias após uma crise no relacionamento. No entanto, o prazo da proteção venceu sem ser renovado, e a vítima buscou refúgio no DF, tentando reconstruir sua vida longe das ameaças do ex-companheiro.
De acordo com o delegado Josué Pinheiro, da 27ª DP (Recanto das Emas), Elenilton confessou o crime com detalhes perturbadores. Ele viajou de Goiás para Brasília com o pretexto de visitar o filho caçula. Ao encontrar Bruna com seu atual namorado, iniciou uma discussão, apossou-se de uma faca de cozinha e a cravou na jugular da vítima. A brutalidade foi tamanha que o próprio criminoso retirou a lâmina do pescoço da ex-mulher antes de fugir, levando a arma consigo.
Apesar de alegar na delegacia que "a intenção não era matar" e que teria caído em uma "emboscada", as provas colhidas pela Polícia Civil apontam para uma ação premeditada. Mensagens recuperadas no celular de Bruna mostram ameaças constantes enviadas por Elenilton, que não aceitava o fim da relação. A ficha criminal do autor já incluía processos por violência doméstica contra outra mulher em 2019 e envolvimento em casos de tentativa de homicídio em solo goiano.
O crime foi cometido diante do filho de apenas 2 anos, que presenciou o ataque fatal contra a mãe. Bruna foi socorrida e levada à UPA do Riacho Fundo II, mas a gravidade do ferimento na artéria jugular impediu qualquer chance de sobrevivência. Elenilton foi localizado e preso pelo 28º BPM em Samambaia, mas mantém o silêncio sobre o paradeiro da faca utilizada no assassinato, dificultando a perícia técnica completa.
O caso agora segue sob a égide da Lei Maria da Penha e do Código Penal como feminicídio qualificado. Para a comunidade do Riacho Fundo II, fica o vazio de uma vizinha querida e o alerta sobre a importância da renovação constante de medidas protetivas. Bruna Stephanie torna-se um símbolo da urgência em políticas públicas que monitorem agressores que cruzam fronteiras estaduais, garantindo que o refúgio das vítimas não se transforme em cenário de tragédia.
--------------------------------------------
Bruna Stephanie / Elenilton Bezerra / Feminicídio / Riacho Fundo II / PCDF