
Após 27 dias de paralisação, a greve dos servidores da assistência social do Distrito Federal chegou ao fim nesta segunda-feira (6/4). A decisão foi tomada durante assembleia geral realizada em frente à Câmara Legislativa (CLDF), onde a categoria votou pela aceitação da proposta do Governo do Distrito Federal (GDF). Embora as reivindicações de aumento salarial e ganhos financeiros imediatos tenham sido rejeitadas, o movimento garantiu a consolidação da jornada de 35 horas semanais (7 horas diárias).
O Sindicato dos Servidores e Empregados da Assistência Social e Cultural do GDF (Sindsasc) classificou a postura do governo como "intransigente" em relação à pauta econômica, mas destacou que o encerramento da greve foi estratégico. O retorno às atividades está marcado para esta terça-feira (7/4), restabelecendo o atendimento em unidades cruciais da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), Secretaria de Justiça (Sejus) e Secretaria da Mulher.
Apesar do vácuo financeiro, o acordo selado na CLDF trouxe avanços em pautas administrativas. O governo comprometeu-se a discutir a alteração nos critérios de ingresso na carreira e a mudança na nomenclatura dos cargos de técnico e especialista. Outro ponto fundamental foi o encaminhamento de um projeto de segurança para as unidades de atendimento, que frequentemente são palco de conflitos devido à natureza do serviço prestado à população vulnerável.
A greve também resultou na revogação do polêmico Memorando nº 04/2025 da Sedes e na garantia do abono dos dias parados. Os servidores, no entanto, mantêm o alerta sobre a Gratificação de Desempenho da Assistência Social (GHDAS). A categoria pleiteia que essa gratificação substitua a atual de titulação, vinculando o pagamento ao desempenho efetivo nas unidades, e não apenas à formação acadêmica, visando corrigir distorções históricas na remuneração.
Um dos pilares do movimento foi a pressão pela realização do novo concurso da Sedes. Autorizado para 2026, o certame prevê a abertura de 1.197 vagas para recompor o quadro de servidores, que hoje sofre com a sobrecarga de trabalho. A definição da banca organizadora é aguardada para as próximas semanas, sendo vista como a única solução definitiva para a melhoria do fluxo de atendimento nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e Centros de Referência Especializados (Creas).
Com o fim do movimento paredista, o foco da categoria volta-se para as mesas de negociação permanentes. O Sindsasc reiterou que a aprovação da jornada de 7 horas é uma vitória para a saúde mental dos trabalhadores, mas que a luta pela reestruturação salarial continuará na pauta de 2026. Para a população que depende dos benefícios sociais, o retorno dos servidores significa o fim da fila de espera por atendimentos emergenciais que ficaram represados durante o último mês.
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