
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), adotou um tom de cautela e independência ao comentar a situação do Banco de Brasília (BRB) nesta quarta-feira (8/4). Questionada sobre a necessidade de um suporte financeiro ou intervenção do governo federal na instituição, a chefe do Executivo distrital foi enfática: “Eu não sei se existe necessidade, se eles vão fazer, mas eu acho que, se não atrapalhar, já ajuda muito”.
A declaração ocorre em um momento de forte pressão política e administrativa sobre o banco público. Celina defendeu que o diálogo institucional é a única forma de superar as barreiras atuais, mas evitou detalhar possíveis aportes da União. A fala da governadora sinaliza uma tentativa de blindar o GDF de interferências externas enquanto a própria instituição tenta "limpar a casa" internamente.
O cenário ganhou contornos ainda mais graves na noite de terça-feira (7/4), quando o BRB comunicou ao mercado a conclusão de uma investigação independente, batizada de operação “Compliance Zero”. O relatório final, elaborado pelo escritório Machado Meyer Advogados com apoio técnico da Kroll Associates, já foi encaminhado à Polícia Federal.
A PF agora deve avaliar o material para decidir sobre a adoção de medidas cabíveis. A auditoria, contratada pelo próprio BRB, já havia sinalizado "achados relevantes" em fases preliminares, que também foram compartilhados com o Banco Central. Em nota, o BRB afirmou manter seu compromisso com a transparência e a governança, respeitando os limites legais de sigilo.
A manifestação de Celina Leão também serve como resposta indireta à movimentação na Câmara Legislativa (CLDF), onde o presidente do banco, Nelson Antônio de Souza, foi convocado para prestar esclarecimentos após adiar sua participação na CCJ alegando "cautela" devido a essas mesmas auditorias.
A estratégia do GDF parece ser a de demonstrar que o banco possui mecanismos internos de autocorreção. No entanto, o envio do relatório à Polícia Federal indica que os problemas detectados podem ultrapassar a esfera administrativa, entrando no campo da materialidade criminal. Para o mercado e para os correntistas, o foco permanece na solvência e na integridade do banco que movimenta a folha de pagamento de todos os servidores do DF.
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