
A crise institucional no Banco de Brasília (BRB) atingiu um novo patamar de gravidade nesta quinta-feira (9/4). A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), determinou o afastamento imediato de servidores da instituição financeira suspeitos de envolvimento em fraudes que causaram prejuízos milionários ao banco. A medida, descrita como preventiva, visa garantir a "lisura das apurações" após a conclusão de uma auditoria independente que investigou a compra de ativos conhecidos como "títulos podres" do Banco Master.
O relatório da auditoria, que serviu de base para a decisão, já foi compartilhado com a Polícia Federal (PF) e com o Banco Central (BC). A investigação detalha as circunstâncias da operação "Master", que teria drenado recursos do BRB por meio de investimentos em títulos sem lastro ou de alto risco. Em nota oficial, Celina Leão afirmou que a nova gestão do GDF está empenhada em "enfrentar e solucionar essa situação com seriedade e responsabilidade".
Enquanto o afastamento dos servidores ocorre na capital federal, a governadora cumpre uma agenda intensiva de "socorro" à credibilidade do banco em São Paulo. Nesta quinta-feira, Celina se reúne com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para tratar das medidas de saneamento e governança do BRB.
Além do encontro com a autoridade monetária, a governadora mantém reuniões estratégicas com investidores e representantes de grandes instituições financeiras na Avenida Faria Lima. O objetivo é acalmar o mercado financeiro e buscar soluções estruturais para a capitalização do banco, que recentemente teve sua imagem arranhada por suspeitas de má gestão e falta de compliance.
O afastamento dos funcionários é o desdobramento prático da operação “Compliance Zero”, cujos resultados preliminares já haviam indicado "achados relevantes". A auditoria foi conduzida pelo escritório Machado Meyer com apoio técnico da Kroll, referência mundial em investigações forenses. O foco agora se volta para a materialidade das provas e para a identificação de possíveis ramificações da fraude na cúpula administrativa.
Para os correntistas e servidores do GDF — que recebem seus salários via BRB —, o cenário exige atenção. Embora a governadora tente transmitir estabilidade ao mercado em São Paulo, internamente o clima é de limpeza administrativa. O desenrolar das reuniões no Banco Central deve definir se o BRB precisará de uma intervenção mais severa nas suas diretrizes de investimento ou se a troca de peças e o afastamento de suspeitos serão suficientes para recuperar a confiança da praça financeira.
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