
O que era um alerta de vizinha acabou se tornando um pesadelo real no Condomínio Mirante da Serra Villa Rabela, em Sobradinho II. Na manhã desta quinta-feira (9/4), um trator desgovernado atingiu duas residências, deixando rastro de destruição e ferindo duas crianças. No entanto, o relato das vítimas revela uma camada ainda mais sombria do episódio: a agressividade e o deboche do condutor após o desastre.
Raimunda Nonato, de 50 anos, dona de uma das casas atingidas, relatou momentos de terror ao tentar buscar ajuda. Segundo ela, o motorista a agrediu fisicamente para impedir que o socorro fosse acionado. "Quando peguei o celular para ligar para a polícia, ele me segurou pela blusa e tentou tirar o aparelho da minha mão. Minha blusa chegou a rasgar", contou a moradora, ainda em choque. Raimunda afirmou que o homem não prestou socorro e saiu do local rindo da situação, atitude que ela classificou como uma "tentativa de homicídio".
A moradora afirma que o acidente poderia ter sido evitado. Mais cedo, ao passar pelo local onde o trator operava, ela teria avisado aos trabalhadores que a manobra era perigosa devido à forte inclinação da pista. O alerta foi ignorado. Com o impacto da colisão, a estrutura das casas foi severamente abalada, resultando na interdição total das duas residências pela Defesa Civil.
Uma das crianças atingidas pelos escombros precisou de atendimento médico hospitalar. Felizmente, informações da tarde desta quinta-feira indicam que o estado de saúde do menor é estável e não há risco de morte. A outra criança sofreu ferimentos leves e foi atendida no local pelas equipes de emergência.
O cenário após o acidente é de incerteza. Sem poder retornar para suas casas, as duas famílias aguardam uma definição sobre onde passarão a noite. Equipes da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF), do Conselho Tutelar e da Administração Regional compareceram ao condomínio para prestar assistência e avaliar a inclusão dos atingidos em programas de auxílio-vulnerabilidade.
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) já trabalha na identificação do motorista, que fugiu logo após as agressões. O caso deve ser registrado como dano qualificado, lesão corporal e omissão de socorro, agravado pela agressão à testemunha. A perícia técnica foi acionada para determinar as causas mecânicas ou humanas que levaram o trator a invadir o perímetro residencial, enquanto a comunidade de Sobradinho II cobra rigor na responsabilização da empresa ou responsável pelo maquinário.
Palavras Chaves: Sobradinho II / Trator / Defesa Civil / PCDF / Agressão / Sedes-DF