
O Banco de Brasília (BRB) deu um passo oficial para tentar reorganizar sua estrutura de comando em meio à tempestade institucional que atravessa. A instituição convocou seus acionistas para assembleias gerais, ordinária e extraordinária, marcadas para o dia 30 de abril, às 10h. O encontro ocorrerá de forma exclusivamente digital e terá como missão principal renovar os colegiados de governança e definir os custos da administração para o próximo exercício.
Na pauta da Assembleia Geral Ordinária, os acionistas devem eleger os novos membros do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal. Além disso, será votada a remuneração global dos administradores do banco. Contudo, o item mais aguardado pelo mercado — a análise das demonstrações financeiras de 2025 e a distribuição de dividendos — foi retirado desta convocação imediata.
A decisão de adiar a análise do balanço financeiro e do lucro líquido não foi por acaso. O BRB admitiu que a necessidade de concluir os trabalhos da auditoria forense — que investiga possíveis irregularidades internas — impediu a publicação oficial das demonstrações financeiras do último exercício. Segundo a nota oficial da instituição, a medida busca "assegurar a fidedignidade e a integridade" dos dados, protegendo os interesses dos acionistas e cumprindo deveres legais.
Essa cautela reflete o momento de crise no banco, que recentemente encaminhou relatórios de investigações independentes à Polícia Federal. Sem o aval dos auditores forenses, o banco não possui segurança jurídica para declarar lucros ou distribuir dividendos, o que mantém investidores e o próprio Governo do Distrito Federal (GDF) em compasso de espera.
Antes da reunião do dia 30, os acionistas já possuem outro compromisso marcado para o dia 22 de abril. Nesta assembleia extraordinária anterior, será discutida a proposta de alteração do Estatuto Social para permitir o aumento do capital social do banco. O reforço no caixa é visto como vital para a solvência da instituição, especialmente após o desgaste provocado pelo "Caso Master".
Também está na mesa a homologação de nomes de peso para o Conselho de Administração, como o atual presidente Nelson Antônio de Souza e Joaquim Lima de Oliveira. O sucesso dessas assembleias é considerado fundamental para que a governadora Celina Leão possa apresentar uma solução definitiva ao Banco Central e ao mercado financeiro, provando que o BRB retomou as rédeas de sua gestão interna após o afastamento de servidores suspeitos de fraude.
Palavras Chaves: BRB / Assembleia de Acionistas / Auditoria Forense / Governança / Nelson Antônio de Souza