
O coração de Brasília transformou-se em uma arena internacional de atletismo neste domingo (12/4). A capital federal sediou a 31ª edição do Campeonato Mundial de Marcha Atlética, reunindo cerca de 400 competidores de 40 nações em circuitos montados em frente ao Museu Nacional. O grande destaque do dia foi o brasiliense e medalhista olímpico Caio Bonfim, que, empurrado por uma torcida calorosa, conquistou a medalha de bronze na prova de 21 km (meia maratona).
A competição, inédita no Hemisfério Sul, contou com um investimento de R$ 5 milhões do Governo do Distrito Federal (GDF). A governadora Celina Leão, que acompanhou as provas desde as primeiras horas da manhã, celebrou o desempenho do atleta local. “O Caio representa a força da resistência e do sucesso. Para nós, aqui, ele é ouro”, afirmou a governadora, destacando que o evento consolida Brasília como a "capital do esporte" e gera visibilidade internacional para a cidade.
Para Caio Bonfim, competir em casa trouxe um peso emocional inédito. “Foi uma das provas mais difíceis da minha carreira pelo emocional. Entreguei tudo de mim, cheguei vendo só o meio-fio branco”, relatou o atleta após cruzar a linha de chegada. Ele dividiu o pódio com o italiano Francesco Fortunato (ouro) e o etíope Misgana Wakuma (prata).
O dia também foi de conquistas para a equipe feminina brasileira. Viviane Lyra, Gabriela de Sousa e Mayara Luize garantiram o bronze por equipes na maratona, ficando atrás apenas das potências Equador e Itália. Outro relato emocionante foi do atleta Gonçalves dos Santos, que terminou no top 30: “Nessas mesmas ruas eu já trabalhei como entregador para me manter, e hoje marchei entre os melhores do mundo”.
A organização do Mundial foi elogiada pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) e por delegações estrangeiras. O circuito da maratona foi composto por 21 voltas em um anel de 2 km, enquanto a meia maratona utilizou um circuito de 1 km. Além das provas de elite, as categorias de base Sub-20 também tiveram espaço, garantindo a renovação da modalidade.
Segundo o secretário de Esporte e Lazer, Renato Junqueira, o impacto do evento ultrapassa as medalhas. Com a rede hoteleira cheia e o aumento no fluxo de bares e restaurantes, o campeonato movimentou a economia local e serviu como teste de fogo para a infraestrutura da cidade, que se prepara para receber outros grandes eventos internacionais, como a Copa do Mundo Feminina.
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