
A história política de Brasília, ao completar 66 anos neste 21 de abril de 2026, é marcada por uma forte inclinação ao centro e à direita. Um levantamento realizado pelo portal Poder360 revela que, dos 27 chefes de governo que já passaram pelo Palácio do Buriti desde a inauguração da capital em 1960, apenas três pertenciam ao campo político da esquerda: Cristovam Buarque (1995-1999), Agnelo Queiroz (2011-2015) e Rodrigo Rollemberg (2015-2019).
A trajetória administrativa do Distrito Federal é dividida em três fases distintas: a era dos 10 prefeitos nomeados (até 1969), o período dos 7 governadores "biônicos" indicados pelo regime militar e pela presidência (1969-1990) e, finalmente, a fase democrática com governadores eleitos pelo voto popular. Dos 10 governadores que chegaram ao poder pelas urnas, 70% orbitavam entre o centro e a direita, consolidando um perfil conservador ou moderado na gestão da capital.
O nome de maior destaque na história eleitoral do DF é Joaquim Roriz, que governou a capital em quatro ocasiões diferentes (uma nomeado e três eleito). Roriz, que transitou por partidos como PMDB (atual MDB) e PTR, é frequentemente lembrado pelo seu perfil assistencialista, o que gera debates entre eleitores sobre o seu posicionamento ideológico. Para muitos analistas, o "Rorizismo" foi a força que moldou a ocupação territorial do DF e estabeleceu as bases para os governos de centro que o sucederam.
Atualmente, o DF vive sob a gestão de Celina Leão (PP), que assumiu o cargo após a renúncia de Ibaneis Rocha (MDB) para disputar as eleições gerais. Celina representa a continuidade do bloco de centro-direita que retomou o poder em 2019. A baixa presença da esquerda no Executivo local reflete, em parte, o perfil socioeconômico da capital, onde o alto escalão do funcionalismo público e os setores de serviços tendem a apoiar plataformas focadas em gestão técnica e estabilidade econômica.
A publicação dos dados gerou polêmica imediata entre os brasilienses nas redes sociais. Enquanto alguns internautas defendem que partidos como MDB e PSDB também deveriam ser classificados como centro-esquerda devido ao histórico de alianças, outros argumentam que a gestão de Rodrigo Rollemberg (PSB), apesar da sigla, adotou posturas mais próximas à direita em episódios específicos.
As críticas aos governos de esquerda também são vocalizadas, especialmente por servidores públicos que recordam as crises financeiras e greves ocorridas entre 2014 e 2015, no final do mandato de Agnelo Queiroz. Por outro lado, há quem aponte que a predominância da direita nos últimos 66 anos significa que os problemas estruturais de desigualdade e mobilidade da cidade — como o abismo social entre o Lago Sul e o Sol Nascente — são de responsabilidade direta desse espectro político.
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