Equador: Revolução Cidadã exige auditoria por ‘fraude física’ no 2º turno das eleições
Equador: Revolução Cidadã exige auditoria por ‘fraude física’ no 2º turno das eleições
Por: Redação
25/04/2025 às 20h47Atualizada em 25/04/2025 às 23h47
Foto: Reprodução
Especialistas internacionais divulgaram relatório apontando suposta manipulação eleitoral por transferência de tinta, técnica que teria favorecido Noboa
O movimento da oposição de esquerda do Equador, o Revolução Cidadã (RC), de Luisa González, exigiu nesta quinta-feira (24/07) uma investigação independente, nacional ou internacional, após a divulgação de um relatório de especialistas que aponta indícios de um suposto mecanismo de fraude eleitoral no segundo turno das eleições presidenciais realizadas em 13 de abril.O documento em questão menciona uma possível manipulação física de votos por meio de transferência de tinta (INKSWAP), técnica que teria favorecido o presidente conservador Daniel Noboa à reeleição.Elaborado por peritos internacionais, o estudo destaca que a suposta fraude não ocorreu por meios digitais, mas sim por uma manipulação física das cédulas “com base no design da cédula, no tipo de tinta usada e no controle sobre os principais materiais eleitorais”. Segundo o texto, a combinação desses fatores teria criado um cenário propício para a alteração dos votos a favor de Noboa.Entre as irregularidades apontadas estão: o controle militar e logístico no qual o mandatário reeleito manteve comando direto sobre as Forças Armadas e o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), além de ter decretado estado de emergência dois dias antes da votação; a produção dos kits eleitorais (cédulas, canetas e urnas) por uma única empresa, Montgar, sob supervisão militar, sem fiscalização independente; a proibição de fotografar o voto, impedindo que eleitores documentassem possíveis irregularidades.
Transferência de tinta
O relatório sugere que votos destinados à candidata González teriam sido transferidos para Noboa por meio de um método físico:Tinta não secante: as canetas oficiais usavam tinta de secagem lenta, facilitando a transferência ao dobrar a cédula.Papel tratado: o material das cédulas teria sido preparado para permitir a passagem da tinta.Simetria do design: a disposição das opções na cédula permitiria que um voto em González fosse marcado como sendo de Noboa após contato.Segundo o Revolução Cidadã, esse mecanismo explicaria a discrepância entre as pesquisas, que nas preliminares apontavam empate técnico ou vitória da candidata progressista, e o resultado oficial.
Inconsistências nas atas
O Revolução Cidadã também apresentou ao CNE mais de 14 mil atas com supostas irregularidades, incluindo 1.984 sem assinaturas conjuntas das autoridades das Juntas Receptoras de Voto (JRV), violando o Código da Democracia; 1.526 cédulas com contagens divergentes do número de eleitores; 1.582 atas com resultados fora da média de seus distritos.Apesar das denúncias, o CNE rejeitou as contestações da oposição e negou um pedido de recontagem dos votos. O procurador-geral do Revolução Cidadã, Francisco Estarellas, questionou a decisão do órgão, insistindo que as atas “não coincidem com as do sistema”. Entretanto, a presidente do conselho, Diana Atamaint, afirmou que as atas são “autênticas e imutáveis” por estarem assinadas digitalmente.Depois de não aceitar três petições apresentadas pela oposição solicitando a nulidade das eleições na manhã desta quinta-feira, além de rechaçar a recontagem de votos, a autoridade eleitoral emitiu o seguinte resultado eleitoral: Luisa González (Aliança RC-Reto) 44,37%, equivalente a 4.683.260 votos, e Daniel Noboa (ADN) 55,63%, representando 5.870.618 votos.(*) Com Telesur / Opera Mundi
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