
O futuro do desenvolvimento financeiro global está diretamente atrelado à saúde e à preservação dos mares. De acordo com dados do relatório “The Ocean Economy to 2050”, publicado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), a transição acelerada para uma matriz energética de baixo carbono permitirá que a economia oceânica cresça até 2,5 vezes até o ano de 2050, tomando como base o tamanho que o setor registrava em 1995.
Antes mesmo que o conceito de sustentabilidade ganhasse o centro dos debates corporativos e governamentais, a chamada "blue economy" (economia azul) já movimentava cerca de US$ 1,5 trilhão no comércio internacional, segundo dados da Global School of Sustainability at LSE (GSoS). A projeção atual indica que o setor deve atingir a marca de US$ 3 trilhões até 2030. Contudo, o avanço histórico pautado em práticas predatórias — como a pesca predatória e a exploração de petróleo e gás offshore — exige uma reformulação urgente nas cadeias produtivas.
A necessidade de proteger o ecossistema marinho vai muito além da pauta ecológica, configurando um pilar de sobrevivência para a infraestrutura de consumo e comunicação do planeta. O relatório da OECD detalha a relevância sistêmica das águas:
Segurança Alimentar: Mais de três bilhões de pessoas dependem diretamente dos oceanos para garantir seu sustento alimentar básico;
Logística Internacional: Mais de 80% de todas as mercadorias comercializadas globalmente são transportadas por rotas marítimas;
Conectividade Digital: O fundo do mar abriga a malha de cabos submarinos responsável por carregar 98% de todo o tráfego internacional de internet.
“Qualquer colapso estrutural paralisa o comércio e toda a comunicação global. Proteger o ecossistema marinho é, fundamentalmente, proteger a própria estabilidade da economia global”, alerta a especialista Liu Berman, líder do Movimento Reinventando Futuros e da LB Cultura Circular.
Apesar do horizonte otimista traçado para 2050 pela OECD, especialistas alertam que o ritmo da transição energética ainda caminha a passos lentos perante a gravidade da degradação ecológica. Com a proximidade do prazo final para o cumprimento da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), os próximos quatro anos serão cruciais para alinhar as indústrias aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com foco no ODS 14 (Vida na Água).
A aposta do mercado para conciliar lucratividade e preservação foca em inovações de baixo carbono, com destaque para a expansão da energia eólica offshore (aerogeradores de eletricidade instalados na água). Liu Berman reforça que refrear um modelo extrativista construído há décadas é o principal desafio de nações litorâneas, incluindo o Brasil. "A adesão necessita de uma urgência maior, pelo fato de os oceanos não conseguirem mais se regenerar como antes. O crescimento projetado até 2050 só se sustentará se mudarmos a matriz de exploração agora", conclui a especialista.
----
Economia Azul / OECD / Sustentabilidade / Energia Renovável / Liu Berman / Agenda 2030