O poder do esporte como elemento transformador e diplomático ganhou o maior palco político do planeta. Celebrado neste 25 de maio de 2026, o Dia Mundial do Futebol demonstrou que a modalidade é capaz de unificar agendas globais e impulsionar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU) de forma célere. A data, instituída oficialmente por meio de uma resolução da Assembleia Geral da ONU aprovada em 2024, fez com que diplomatas em Nova Iorque deixassem de lado os ternos, as gravatas e as mesas de debate para celebrar a paixão que conecta comunidades além das fronteiras geográficas ou culturais.
A escolha do dia 25 de maio carrega um simbolismo histórico para o esporte bretão: trata-se do centenário do primeiro torneio internacional de futebol com representação global, realizado durante os Jogos Olímpicos de Verão de 1924, em Paris — marco que lançou as bases para a criação da atual Copa do Mundo da FIFA. A resolução das Nações Unidas reconhece o impacto da bola em esferas que vão do comércio à diplomacia, funcionando como um espaço inigualável para a cooperação humana e promoção da saúde mental.
Uma das revelações dos bastidores da modalidade é o peso cultural da língua portuguesa no cenário internacional. Segundo Nuno Crisóstomo, português, ex-funcionário do Unicef e líder de voluntários da Copa do Mundo da FIFA, o português consolidou-se como o segundo idioma mais falado nos gramados do mundo, ficando atrás apenas do inglês.
Esse fenômeno não se deve apenas à expressiva quantidade de atletas brasileiros e portugueses em atividade, mas também à forte exportação de técnicos. Estima-se que haja cerca de 136 treinadores de Portugal atuando no estrangeiro, com o mercado brasileiro multiplicando significativamente essa presença na formação de lideranças de clubes.
"O futebol conecta pessoas de diferentes culturas, países e línguas. Todos se comunicam igual e acham uma forma de jogar juntos e se divertir ou competir. É uma forma que traz todos juntos por uma causa", destacou Joshua Nascimento, filho do Rei Pelé, ao falar sobre o legado de inclusão da modalidade.
Para além dos gramados profissionais, o futebol tem sido adotado ativamente pelas Nações Unidas e por agências como o ACNUR como um passaporte para o recomeço de jovens que escaparam de cenários de guerra, perseguição e violência. Iniciativas como o Futebol Sem Fronteiras, que escala uma "Seleção de Refugiados", e o grupo Amigos do Futebol — formado por embaixadores e diplomatas — evidenciam a capacidade da bola de derrubar barreiras, promovendo o respeito mútuo, a tolerância e a igualdade de gênero.
No Brasil, detentor de cinco títulos mundiais, essa trajetória de diversidade é preservada institucionalmente. Marília Bonas, diretora técnica do Museu do Futebol — sediado em São Paulo desde 2008 —, ressalta que a instituição conta a própria história do país através da evolução do esporte, englobando desde a chegada das primeiras bolas no século XIX até vertentes modernas, como o futebol feminino, modalidades adaptadas e o futebol indígena. O espaço funciona de terça a domingo, oferecendo entrada gratuita a todos os visitantes nas terças-feiras.
A celebração global ocorre em meio ao clima de contagem regressiva para a Copa do Mundo de 2026, sediada na América do Norte, que terá seu início formal no próximo dia 11 de junho. Refletindo a universalidade da data, a primeira partida de uma nação de língua portuguesa no torneio ocorrerá no dia 13 de junho, em Newark (EUA), em um embate entre as seleções de Brasil e Marrocos.
---------------
Dia Mundial do Futebol / ONU / Pelé / Joshua Nascimento / Museu do Futebol / Copa do Mundo 2026