
A história viva do Brasil na Segunda Guerra Mundial perdeu uma de suas últimas e mais marcantes testemunhas. O Exército Brasileiro comunicou, neste sábado (30), o falecimento do tenente-coronel Nestor da Silva, aos 108 anos, no Distrito Federal. Herói da pátria, o oficial integrou o contingente de "pracinhas" da Força Expedicionária Brasileira (FEB) enviado à Europa na década de 1940 para combater o nazi-fascismo nos teatros de operações da Itália.
Em nota oficial de pesar, o Comando do Exército lamentou profundamente a perda do veterano, destacando que sua trajetória profissional confunde-se com as páginas mais gloriosas da história militar do país. Durante a campanha na Itália, Nestor serviu no lendário 11º Regimento de Infantaria da FEB. Seu destemor nos campos de batalha rendeu-lhe uma rara promoção por bravura em meio ao conflito, após sua atuação decisiva na célebre Tomada de Montese — uma das conquistas mais complexas e importantes da tropa brasileira contra as linhas de defesa alemãs.
Por sua conduta e liderança sob fogo inimigo, o então jovem oficial participou de inúmeras missões de alto risco, acumulando as mais altas honrarias de combate concedidas pelo Estado brasileiro:
Cruz de Combate de 1ª Classe: Destinada a premiar atos de bravura e abnegação diante do inimigo;
Medalha Sangue do Brasil: Concedida aos militares feridos em decorrência de estilhaços ou ação direta em operações de guerra.
Com o encerramento do conflito global, Nestor retornou vitorioso ao solo brasileiro em fevereiro de 1946. O fim do horror na Europa deu lugar a um roteiro digno de cinema: ao desembarcar, ele reencontrou sua namorada, Niva da Silva, que o aguardou fielmente durante os anos de isolamento e incertezas da guerra. Os dois se casaram logo em seguida e constituíram família, fixando residência posteriormente na nova capital federal.
A jornada de Nestor na farda esteve longe de terminar com o fim da Segunda Guerra. Demonstrando obstinação e vigor físico, ele concluiu o Curso de Oficiais da Reserva e migrou para as forças de elite da instituição. O oficial serviu na prestigiada Brigada de Infantaria Paraquedista, onde se especializou como paraquedista militar e conquistou o exigente título de mestre de salto. Antes de se aposentar e passar para a reserva no ano de 1972, ele ainda exerceu funções estratégicas de assessoria e planejamento junto ao Estado-Maior do Exército.
Na homenagem póstuma emitida, a instituição reafirmou que o oficial deixa às futuras gerações de soldados um legado impagável de profundo patriotismo, disciplina rígida e dedicação integral ao dever militar, prestando total solidariedade aos amigos e familiares. O último adeus ao herói nacional será realizado neste domingo (31), com o velório agendado para o Cemitério Campo da Esperança, localizado na Asa Sul, em Brasília.
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