
A identidade cultural e a memória afetiva de Brasília perderam uma de suas principais guardiãs. Morreu na madrugada deste domingo (31), aos 99 anos, a jornalista, escritora e cronista Regina Stella Studart Quintas. Uma das pioneiras da capital federal, Regina faleceu em sua residência enquanto dormia, vítima de causas naturais ligadas à idade avançada, sem histórico recente de internação hospitalar. A escritora estava a poucas semanas de celebrar o seu centenário, que ocorreria no próximo dia 26 de junho.
Natural de Fortaleza (CE), Regina era formada em química, mas foi na literatura e na comunicação que consolidou sua verdadeira vocação. Ela desembarcou no Planalto Central em junho de 1960, apenas dois meses após a inauguração oficial da nova capital. Ao longo de mais de duas décadas, atuou como cronista nas páginas do jornal Correio Braziliense, espaço onde registrou com sensibilidade o cotidiano, os personagens marcantes e os sentimentos de uma cidade em plena construção.
A vivência como testemunha ocular do nascimento de Brasília serviu de matéria-prima para a sua produção literária. Regina Stella publicou livros que se tornaram registros históricos e poéticos sobre a evolução da cidade:
O Reto e o Oblíquo: Obra que reúne crônicas inspiradas no dia a dia da nova capital;
Recado dos Ipês: Textos que capturam a atmosfera e as transformações da paisagem urbana do quadradinho;
Ciranda do Tempo: Compilado de memórias sobre a trajetória da cidade que adotou como lar.
Viúva do também jornalista Expedicto Quintas — falecido no ano de 1998 —, Regina construiu uma sólida trajetória familiar em solo brasiliense, deixando oito filhos, 16 netos e 13 bisnetos. Uma de suas filhas, Nise Maria Quintas, destacou o comprometimento da mãe com as causas sociais e a cidadania, definindo-a como o maior exemplo humano para as próximas gerações.
“Só o amor justifica a nossa presença neste planeta azul.” — Regina Stella Quintas.
A frase, que a escritora costumava repetir ao longo de quase um século de existência, sintetizava sua filosofia de vida baseada no afeto e na preservação das relações humanas. O sepultamento da pioneira será realizado no Cemitério Campo da Esperança, localizado na Asa Sul, em Brasília, em horário que ainda será confirmado pelos familiares.
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Regina Stella Quintas / Pioneira de Brasília / Correio Braziliense / Crônica / Literatura Brasiliense / Luto / Campo da Esperança