
A resolução da crise financeira que rondava o Banco de Brasília (BRB) ganhou um forte componente de afirmação política para o comando do Palácio do Buriti. Em entrevista concedida à coluna Capital S/A, a governadora Celina Leão (PP) assumiu de forma categórica a autoria intelectual da estratégia que levou o Governo do Distrito Federal (GDF) a acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para buscar o apoio da União no resgate da instituição financeira estatal.
Ao ser questionada se a iniciativa de ingressar com a ação judicial havia partido de sugestões técnicas da consultoria jurídica do GDF ou do advogado Gustavo Rocha — ex-chefe da Casa Civil e cotado como potencial vice em sua chapa eleitoral —, Celina rechaçou as hipóteses e mandou um recado direto aos seus opositores políticos.
“Sou advogada, antes de ser governadora. Pensei nessa linha de atuação e quem subestimou a minha capacidade de gestão e de resolução está vendo agora o resultado”.
A declaração foi dada poucas horas antes de a governadora ser internada no Hospital Santa Lúcia, na tarde do último sábado, para tratar um quadro clínico de pneumotórax. Mesmo às vésperas do recolhimento hospitalar, Celina demonstrava forte empolgação e disposição ao celebrar o desfecho do acordo mediado pelo ministro do STF, Luiz Fux, fechado na última semana.
Os principais eixos do acordo firmado entre as partes envolvem:
Protagonismo do Executivo: A governadora celebrou o plano de metas que blindou o banco estatal em um intervalo de menos de 50 dias;
Formato do Socorro: O governo federal aceitou integrar o comitê de auxílio, atuando estritamente pelo viés técnico e abrindo portas institucionais no mercado financeiro;
Sem dinheiro direto: A engenharia financeira do acordo não prevê a transferência direta de recursos do caixa da União para as contas do BRB.
A mobilização urgente liderada por Celina Leão ocorreu para estancar um bilionário rombo contábil provocado após a instituição financeira do DF realizar negócios frustrados com o Banco Master. O plano de socorro estruturado — que envolveu também o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — costurou um aporte financeiro emergencial superior a R$ 6,5 bilhões, eliminando temporariamente os riscos iminentes de uma intervenção ou liquidação compulsória do banco pelo Banco Central. Ao puxar para si os louros da solução jurídica no STF, Celina tenta consolidar seu perfil de gestora técnica em um momento crucial de rearranjo político no Distrito Federal.
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Celina Leão / BRB / STF / Luiz Fux / Capital S/A / Samanta Sallum / Gestão Pública