
A Organização Meteorológica Mundial (OMM), braço meteorológico da ONU, emitiu um alerta global indicando que a probabilidade de um novo episódio do fenômeno El Niño se consolidar até agosto de 2026 atingiu a marca de 80%. Modelos climáticos apontam que o evento terá intensidade moderada, com fortes chances de evoluir para uma condição de alta severidade.
O avanço do fenômeno deve se estender ao longo do segundo semestre, com chances superiores a 90% de persistência até pelo menos o mês de novembro. Diante dos dados, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, classificou o cenário como um aviso urgente e instou governos mundiais a adotarem medidas imediatas de mitigação.
O El Niño se caracteriza pelo aquecimento incomum das águas superficiais do Pacífico Equatorial central e oriental. Monitoramentos realizados entre o fim de abril e meados de maio revelaram anomalias térmicas severas nas camadas subsuperficiais do oceano tropical, que chegaram a registrar marcas superior a 6°C acima da média histórica de calor.
"Precisamos nos preparar para um evento potencialmente forte, que agravará secas e chuvas intensas", declarou Celeste Saulo, secretária-geral da OMM.
Especialistas alertam que o fenômeno atua de forma integrada com a crise climática global. Embora não haja comprovação de que as mutações na atmosfera aumentem a frequência do El Niño, a maior retenção de energia térmica no planeta funciona como combustível, amplificando as consequências de [eventos climáticos extremos no Brasil] e em outros continentes.
Historicamente, o fenômeno altera de forma radical a distribuição de chuvas pelo globo. Enquanto regiões como o sul da América do Sul, o sul dos Estados Unidos e o Chifre da África tendem a registrar volumes de precipitação muito acima da média, áreas da América Central, norte da América do Sul e Indonésia entram em períodos de seca severa.
No campo da meteorologia costeira, o aquecimento das águas tropicais desloca a dinâmica dos ventos globais. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) prevê que essa configuração deve inibir a atividade de tempestades tropicais na bacia do Atlântico, resultando em uma temporada de furacões abaixo da média histórica para o período.
A previsibilidade do fenômeno serve de base para que governos estruturem planos de contingência agrícola e de abastecimento. Setores estratégicos utilizam relatórios baseados em [sistemas de alerta precoce da ONU] para proteger safras, gerenciar reservatórios hidroelétricos e preparar redes de saúde para enfrentar as previsões de ondas de calor extremo em terra e no mar.
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