Sexta, 04 de Setembro de 2026
20°C 30°C
Brasília, DF
Publicidade

AMIG Brasil alerta ANM sobre riscos do El Niño na mineração

Entidade propõe estratégia preventiva para estruturas de mineração e defende integração entre Agência, municípios, empresas e Defesas Civis diante da possibilidade de eventos climáticos extremos

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
04/09/2026 às 12h54
AMIG Brasil alerta ANM sobre riscos do El Niño na mineração
AMIG Brasil -ChatGPT

A Associação Brasileira dos Municípios Mineradores (AMIG Brasil) encaminhou à Agência Nacional de Mineração (ANM), na última quinta-feira (27/08), um ofício com alerta sobre os riscos associados ao El Niño 2026/2027 nos municípios mineradores e afetados pela atividade mineral. O documento propõe uma estratégia preventiva e integrada para reduzir vulnerabilidades, orientar a fiscalização e ampliar a preparação dos territórios diante da possibilidade de eventos climáticos extremos.

A preocupação da entidade está na combinação entre chuvas intensas e a presença de barragens, pilhas de estéril e rejeitos, diques, cavas, estruturas de contenção e outros componentes dos empreendimentos minerários. "As informações climáticas disponíveis sejam incorporadas ao planejamento preventivo, para antecipar decisões e direcionar recursos às situações de maior risco", alerta Thiago Metzker, biólogo, doutor em Ecologia e consultor de Meio Ambiente da AMIG Brasil.

Um dos principais pontos apresentados à ANM é a necessidade de avaliar se os parâmetros hidrológicos, hidráulicos e geotécnicos utilizados no projeto, na operação e no monitoramento das estruturas permanecem adequados diante de um cenário climático em transformação. Parte da infraestrutura de mineração existente no país foi concebida com base em séries históricas de precipitação e outros dados registrados em períodos anteriores.

"Chuvas intensas ou persistentes podem provocar aumento da infiltração e da saturação dos materiais, elevação de poropressões, erosões, crescimento das vazões, sobrecarga de sistemas de drenagem, extravasamentos, instabilidade de taludes e movimentos de massa. Por isso, a AMIG Brasil defende uma atuação preventiva baseada no risco e nas características específicas de cada empreendimento", enfatiza Metzker.

Entre as principais medidas propostas no ofício está a adoção, para 2026/2027, de critérios extraordinários de priorização da fiscalização. A entidade sugere que a ANM considere fatores como Categoria de Risco, Dano Potencial Associado, população potencialmente exposta, proximidade de comunidades e áreas urbanizadas, infraestrutura crítica, histórico de anomalias, condições de estabilidade e alertas meteorológicos e hidrológicos.

O ofício também propõe que alertas meteorológicos severos possam funcionar como gatilhos para a intensificação temporária do monitoramento e das inspeções realizadas pelos empreendedores. Entre os parâmetros que podem exigir maior atenção estão níveis d’água, drenagem, vazões, poropressões, deformações, surgências, erosões e outras anomalias relacionadas à segurança das estruturas.

Outro ponto central é a preparação dos municípios. "As administrações municipais precisam conhecer os riscos existentes em seus territórios, fortalecer as estruturas de proteção e Defesa Civil e organizar previamente os serviços públicos que poderão ser mobilizados em uma eventual emergência. Informações relevantes para a proteção das populações também devem chegar aos municípios de forma tempestiva", ressalta Metzker.

A preparação municipal, no entanto, não transfere às prefeituras a responsabilidade pela segurança das estruturas. O documento da AMIG Brasil reforça que essa obrigação é do empreendedor, a quem cabe desenvolver e financiar as ações necessárias para garantir a segurança, manter informações atualizadas e comunicar alterações capazes de comprometer as estruturas. À ANM cabe exercer suas atribuições regulatórias e fiscalizatórias.

"Esse alinhamento é essencial porque, independentemente da classificação regulatória das estruturas, é nos municípios que os efeitos de uma eventual ocorrência serão sentidos. Interdições, danos ambientais, comprometimento de vias, necessidade de evacuação e mobilização dos serviços públicos recaem diretamente sobre os territórios e suas populações", destaca.

Ao cobrar uma atuação preventiva, a AMIG Brasil também reconhece as limitações humanas, técnicas e orçamentárias enfrentadas pela ANM. O ofício propõe uma estratégia seletiva, escalonada e orientada pelo risco, concentrando os recursos disponíveis onde a combinação entre perigo, exposição, vulnerabilidade e possíveis consequências exige maior atenção.

A entidade também se colocou à disposição para atuar junto ao Governo Federal e ao Congresso Nacional em defesa do fortalecimento institucional da Agência, com recursos humanos, técnicos, tecnológicos e orçamentários compatíveis com suas responsabilidades.

O documento destaca que "fortalecer a capacidade regulatória e fiscalizatória da ANM também significa ampliar a segurança dos territórios. A Associação defende que o El Niño 2026/2027 seja utilizado para avançar de uma postura predominantemente reativa para uma gestão preventiva, integrada e orientada pelo risco climático".

Como sintetiza o documento encaminhado à Agência: "Entre a previsão e a tragédia existe um intervalo chamado decisão. Neste momento, esse intervalo ainda está aberto".

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Imagem divulgação Electrolux
Meio Ambiente Há 27 minutos

Electrolux capta R$ 300 milhões do BNDES com apoio da Macke

Nova operação amplia estratégia de financiamento à inovação da companhia, que já havia aprovado R$ 250 milhões via Finep no início de 2026

Divulgação EXP
Meio Ambiente Há 41 minutos

Calor extremo muda o papel das áreas verdes nas cidades

Com o avanço do calor extremo, áreas verdes ganham papel estratégico na infraestrutura urbana. O escritório catarinense EXP desenvolve projetos de arquitetura, urbanismo e paisagismo que aproximam pessoas, natureza e cidade. Em espaços públicos e ...

ChatGPT
Meio Ambiente Há 3 horas

AMIG Brasil alerta: expansão mineral exige mais fiscalização

Estudo apresentado durante a Exposibram projeta crescimento do setor mineral até 2035; para a AMIG Brasil, avanço dos investimentos deve ser acompanhado pelo fortalecimento da fiscalização, segurança jurídica e retorno aos territórios

EGG acervo
Meio Ambiente Há 20 horas

Selo 7PEGG reconhece práticas colaborativas no trabalho

Certificação criada pela plataforma Educação para Gentileza e Generosidade (EGG) propõe medir práticas de gentileza, respeito e colaboração em ambientes de trabalho como forma de proteção à saúde mental e relacional; selo já reconheceu quatro orga...

Divulgação/Fortmetal
Meio Ambiente Há 2 semanas

Empresas ampliam foco estratégico no armazenamento de água

A disponibilidade de água ganha relevância no planejamento de indústrias, centros logísticos, hospitais, condomínios e outros empreendimentos. Reservatórios destinados a combate a incêndio, processos produtivos, consumo e contingência ajudam a red...

Brasília, DF
24°
Parcialmente nublado
Mín. 20° Máx. 30°
24° Sensação
6.69 km/h Vento
57% Umidade
60% (1.01mm) Chance chuva
06h15 Nascer do sol
18h06 Pôr do sol
Sábado
33° 20°
Domingo
32° 24°
Segunda
31° 20°
Terça
30° 17°
Quarta
29° 18°
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,12 +0,29%
Euro
R$ 5,95 +0,25%
Peso Argentino
R$ 0,00 +3,23%
Bitcoin
R$ 432,780,24 -2,13%
Ibovespa
186,396,11 pts 0.65%
Publicidade
Publicidade
Enquete
Nenhuma enquete cadastrada
Publicidade
Lenium - Criar site de notícias