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Scholz rebate discurso de Vance e acusa ‘interferência’ nas eleições alemãs

Scholz rebate discurso de Vance e acusa ‘interferência’ nas eleições alemãs

Redação
Por: Redação
16/02/2025 às 01h00 Atualizada em 16/02/2025 às 04h00
Scholz rebate discurso de Vance e acusa ‘interferência’ nas eleições alemãs
Foto: Reprodução

Chanceler se posiciona após vice de Trump apoiar plataforma da ultradireita alemã

O chanceler federal da Alemanha, Olaf Scholz, lançou neste sábado (15/02) duras críticas aos comentários feitos pelo vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, na Conferência de Segurança de Munique, em meio a preocupações com a nova diplomacia adotada pelos Estados Unidos sob a Presidência de Donald Trump. Nesta sexta-feira, Vance utilizou seu discurso em Munique para questionar os valores democráticos europeus, ao invés de tratar do tema da segurança externa da Europa ou das tensões geradas pela guerra na Ucrânia. O republicano acusou as autoridades europeias de limitar a liberdade de expressão e excluir partidos que expressam fortes preocupações sobre a imigração. De maneira velada, Vance declarou apoio à plataforma do partido ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD), o que gerou fortes reações da cúpula do governo alemão.
No mesmo palco onde Vance discursou no dia anterior, Scholz lembrou que os membros da AfD banalizam o passado nazista da Alemanha e os crimes monstruosos cometidos durante o regime, e insistiu que não deve haver interferências externas na campanha eleitoral alemã, a poucos dias das eleições gerais no país.
“Não aceitaremos que pessoas de fora interfiram a favor desse partido em nossa democracia, em nossas eleições e no processo de formação de opinião democrática”, disse Scholz. “Isso é impróprio, especialmente entre amigos e aliados, e rejeitamos veementemente isso.”
“Como nossa democracia prosseguirá é algo que nós decidiremos por nós mesmos”, prosseguiu.
O chanceler também rebateu as críticas de Vance ao chamado “cordão sanitário” – o consenso entre os principais partidos da Alemanha que visa isolar a extrema direita das decisões políticas. “Estamos absolutamente certos de que a extrema direita deve ficar de fora do processo de tomada de decisão política e que não haverá cooperação com eles”, disse. Scholz mencionou a visita do vice de Trump ao campo de concentração de Dachau, próximo a Munique, e o compromisso assumido por ele de “nunca mais” permitir que tais atrocidades sejam cometidas.
Os crimes do Holocausto foram a razão pela qual “a ampla maioria dos alemães se opõe firmemente àqueles que glorificam ou justificam” os nazistas, disse o social-democrata, destacando que foi exatamente isso que membros da AfD fizeram ao banalizar os crimes cometidos pelo regime. “Um compromisso de ‘nunca mais’ não pode ser conciliado com o apoio à AfD”, reiterou.
“Distorção do que consideramos ser democracia”
No dia anterior, o ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, acusou Vance de distorcer a realidade em sua interpretação sobre os valores democráticos europeus. “O vice-presidente dos EUA questionou a democracia em toda a Europa. E se eu o entendi corretamente, ele está comparando as condições em partes da Europa com as de regiões autoritárias” Isso não é aceitável. Essa não é a Europa e não é a democracia na qual eu vivo e na qual estou fazendo campanha atualmente”, afirmou. Cathryn Clüver-Ashbrook, cientista política da Fundação Bertelsmann e ex-diretora do Conselho Alemão de Relações Exteriores (DGAP), disse à DW que o discurso de Vance revelou “quais estratégias podemos esperar na distorção do que consideramos ser democracia em seu entendimento factual, fundamental e também baseado em normas”. “O primeiro terço do discurso foi salpicado de teorias da conspiração, desinformação e um convite para levar essas distorções a sério”, comentou. As pesquisas de opinião projetam a AfD em segundo lugar nas eleições gerais alemãs, em 23 de fevereiro, com cerca de 20% dos votos. O Partido Social-Democrata (SPD) de Scholz está em terceiro, com o apoio de aproximadamente 15% dos eleitores.
O bloco conservador formado pela União Democrata Cristã (CDU) – do candidato a chanceler Friedrich Merz – e a bávara União Social Cristã (CSU) lidera as pesquisas, com cerca de 30% da preferência do eleitorado.

*Opera Mundi
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