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Para Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Portarias representam um avanço significativo no fortalecimento da oncologia no âmbito do SUS

Para Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Portarias representam um avanço significativo no fortalecimento da oncologia no âmbito do SUS

Redação
Por: Redação
17/02/2025 às 07h00 Atualizada em 17/02/2025 às 10h00
Para Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, Portarias representam um avanço significativo no fortalecimento da oncologia no âmbito do SUS
Foto: Reprodução

Mas a plena implementação enfrenta desafios estruturais e operacionais, alerta a entidade

O Ministério da Saúde começou na semana passada a regulamentar a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer (PNPCC) com a publicação da Portaria nº 6.590, no dia 6 de fevereiro, e das Portarias nº 6.591 e nº 6.592, no dia 7. A primeira versa sobre a Política de forma geral, enquanto as demais instituem, respectivamente, a Rede de Prevenção e Controle do Câncer (RPCC) e o Programa de navegação para pessoas com diagnóstico de câncer no SUS. Desde a aprovação da PNPCC, em dezembro de 2023, representantes da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) estiveram em contato com as autoridades para fornecer subsídios técnicos nas discussões sobre o tema. A nova Política tem como objetivos a diminuição da incidência de diversos tipos de câncer, a garantia de acesso adequado às ações de promoção da saúde, o cuidado integral à pessoa com câncer, a melhoria da qualidade de vida dos usuários diagnosticados com a doença e a redução da mortalidade e das incapacidades causadas por neoplasias. “As Portarias representam um avanço significativo no fortalecimento da PNPCC no âmbito do SUS. Ao estabelecer como prioritários a prevenção, a detecção precoce, o tratamento e a reabilitação de pacientes com câncer, a medida fortalece a necessária busca de um cuidado mais integralizado e equitativo”, comenta a Presidente da SBOC, Dra. Angélica Nogueira. “A proposta de incorporação de tecnologias, o uso da telessaúde e a ênfase na qualificação profissional são elementos essenciais para modernizar e ampliar a assistência oncológica no Brasil”, complementa. Contudo, ela alerta, apesar da importância, a plena implementação das ações definidas na Política enfrenta desafios estruturais e operacionais. “A regionalização e descentralização do atendimento são fundamentais, mas exigem investimentos consistentes em infraestrutura, capacitação profissional e regulação eficaz para garantir acesso oportuno e qualidade assistencial. A necessidade de fortalecer a integração dos sistemas de informação, assegurar o financiamento adequado e alinhar as diretrizes nacionais com a realidade são barreiras que precisarão ser superadas”, completa a oncologista clínica. Segundo Dra. Angélica, a SBOC, como entidade representativa dos oncologistas, tem o compromisso de colaborar ativamente para que essa Política seja efetiva, assegurando que os pacientes oncológicos no Brasil tenham acesso a um tratamento mais célere, eficiente e humanizado. “A SBOC está envolvida desde as discussões iniciais do projeto e pretende desempenhar papel estratégico na implementação da PNPCC, apoiando a capacitação profissional, promovendo educação continuada, contribuindo com diretrizes, monitorando a Política, auxiliando na definição de indicadores de prioridade, qualidade e acesso, atuando junto ao governo e à sociedade civil, entre muitas outras frentes”, avalia. RPCC e Programa de Navegação – Entre os itens tratados pelas Portarias estão a Rede de Prevenção e Controle do Câncer e o Programa de navegação para pessoas com diagnóstico de câncer no SUS. A RPCC visa organizar o cuidado integral dos pacientes oncológicos, abrangendo prevenção, diagnóstico precoce, tratamento e reabilitação, enquanto o Programa de navegação busca facilitar o acesso ao diagnóstico e reduzir a mortalidade, eliminando barreiras que dificultam o atendimento. Ambas as iniciativas seguem as diretrizes da PNPCC. A Diretora-Executiva da SBOC, Dra. Marisa Madi, reforçou que as medidas representam um avanço na atenção oncológica e espera que novas regulamentações sejam implementadas rapidamente para beneficiar os pacientes. “Esperamos que as próximas normatizações – que serão necessárias – venham com celeridade, para de fato fazerem diferença na experiência do paciente oncológico e na qualidade da assistência”, finaliza. Para o coordenador do Comitê de Políticas Públicas da Sociedade, Dr. Nelson Teich, o mais relevante é que o que está escrito nas Portarias e na lei da PNPCC possa ser implementado na prática. “Naturalmente, é um tema complexo. Estamos em um país heterogêneo e necessitamos de diagnósticos para cada região do país, pois não há uma solução uniforme”, diz. Ele lembra que é comum, no âmbito do SUS, que muitas iniciativas que no papel parecem perfeitas, não se materializem com eficiência. “O que irá fazer a Política funcionar é criar infraestrutura necessária para colocá-la em prática e dar acesso ao paciente. Depois, poderemos comemorar a entrega”, complementa Dr. Teich. Em seu entendimento, a SBOC tem papel fundamental nesse cenário, sendo uma instituição que poderá colaborar com as autoridades e monitorar a implementação da PNPCC, bem como os resultados alcançados. “A Sociedade pode ter papel ativo no diagnóstico do momento atual, na criação de metas e prazos, na avaliação das mudanças necessárias nas linhas de cuidado, no acompanhamento da implementação, na sugestão de ajustes necessários ao longo do tempo, e na efetivação dos programas.”
Sobre a SBOC
Fundada em 1981, a SBOC representa médicos oncologistas clínicos em todo o território nacional, com associados distribuídos pelos 26 estados e o Distrito Federal. A Sociedade atua em diversas frentes como o incentivo à formação e à pesquisa, educação continuada, políticas de saúde, defesa profissional e relações nacionais e internacionais, visando contribuir para o fortalecimento da Oncologia no Brasil e no mundo.
*SBOC 
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