Projeto da SPVS forma jovens, professores e empreendedores no Paraná para promover conservação com desenvolvimento sustentável
A Mata Atlântica não será conservada apenas com cercas, multas ou decretos. A proteção do bioma depende, cada vez mais, do engajamento das comunidades que nela vivem — um compromisso que se constrói com diálogo, educação e oportunidades locais . É com essa premissa que a SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental) lançou, em 2025, uma nova fase da Escola de Conservação da Natureza , em parceria com o Global Nature Fund (GNF) , financiado pelo Ministério para Cooperação e Desenvolvimento da Alemanha (BMZ).
Uma escola itinerante pela biodiversidade
Criada em 2017, a Escola de Conservação da Natureza é um projeto educacional itinerante que leva estudantes do ensino médio a vivenciar a Mata Atlântica como uma “sala de aula viva”. Em 2025, a iniciativa entrou em nova etapa com apoio internacional, focando nos municípios de Morretes, Antonina e Guaraqueçaba (PR) — regiões inseridas na Grande Reserva Mata Atlântica , o maior fragmento contínuo do bioma, que abrange Paraná, São Paulo e Santa Catarina.
O projeto prevê a formação direta de:
- 60 jovens (15 a 18 anos)
- 100 professores
- 50 empreendedores
Com impacto indireto estimado em mais de 460 pessoas até janeiro de 2026 , a meta é transformar esses participantes em agentes de mudança local, capazes de articular conservação ambiental com geração de renda .
Educação ambiental prática e territorializada
As atividades são baseadas em vivências reais: trilhas em unidades de conservação, oficinas com pesquisadores, debates sobre sustentabilidade e imersões culturais que conectam os jovens à história e ao modo de vida das comunidades tradicionais.
“O bioma deixa de ser um simples cenário e se torna uma sala de aula viva”, afirma a equipe da SPVS. O objetivo é que os estudantes compreendam a floresta não apenas como patrimônio natural, mas como base da identidade, qualidade de vida e economia local .
Um conceito central do projeto é a “produção de natureza” , inspirado no livro do biólogo Ignacio Jiménez Pérez. Ele defende que a conservação pode ser a alavanca do desenvolvimento local , e não um obstáculo a ele.
Professores como multiplicadores
Os docentes têm papel estratégico. A SPVS está capacitando 100 professores das redes estadual e municipal para integrar temas de conservação ao currículo escolar, alinhados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) nas áreas de Ciências, Geografia e Redação.
Para isso, utiliza o Manual do Educador para a Conservação da Natureza – edição Floresta Atlântica , material didático próprio. A expectativa é que os professores impactem mais de 400 alunos indiretamente , ampliando o alcance pedagógico do projeto.
Renda sustentável e turismo de natureza
Além da educação, o projeto investe diretamente na economia local . Com o apoio do GNF, serão oferecidos:
- Um curso completo de observação de aves (birdwatching) , com entrega de kits aos participantes
- Lançamento de três novas rotas de ecoturismo na região
A ideia é preparar jovens e empreendedores para explorar de forma sustentável o potencial da Grande Reserva, transformando a região em um destino viável de turismo de natureza — e não apenas um ponto de partida para migração em busca de oportunidades.
Cinco estudantes serão selecionados como bolsistas-estagiários para atuar em áreas protegidas, com atividades como monitorias de campo, levantamento de percepções locais, criação de roteiros turísticos e produção de conteúdo.
Construção de redes e pertencimento
A formação de redes colaborativas entre jovens, professores, empreendedores, gestores públicos e lideranças comunitárias é outro pilar do projeto. Ao final do ciclo, será realizado um grande encontro intersetorial para debater propostas conjuntas de políticas públicas para conservação e desenvolvimento sustentável.
Segundo a SPVS, o verdadeiro legado do projeto está na transformação do olhar : quando um jovem conhece a biodiversidade do seu entorno, resgata o orgulho de pertencer ao lugar. E quando descobre que pode viver da floresta em pé, escolhe ficar, investir e criar.
“A Mata Atlântica não será conservada apenas com cercas, multas ou decretos. Será protegida, sobretudo, pela ação consciente de quem vive nela, nela trabalha, nela sonha. E isso se constrói com escuta, diálogo e educação de qualidade.”
Com informações: SPVS / ECO