Dados do sistema DETER apontam redução nos biomas, mas Cerrado ainda perde mais área que a Amazônia. Governo destaca ações de fiscalização e políticas produtivas sustentáveis.
Redução no desmatamento em biomas não amazônicos
O Cerrado registrou queda de 21% no desmatamento entre agosto de 2024 e julho de 2025, segundo dados do sistema DETER, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), divulgados em 7 de agosto de 2025. No período, o bioma perdeu 5.555 km², uma área equivalente a Boa Vista (RR) ou quatro vezes o território da cidade de São Paulo.
Apesar da redução, o Cerrado teve mais área desmatada no período do que a Amazônia, tradicionalmente o bioma mais afetado. A expansão da fronteira agrícola na savana brasileira tem impulsionado esse cenário nos últimos anos.
Desafio do desmatamento legal no Cerrado
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, destacou que parte significativa do desmatamento no Cerrado é legal. A legislação permite que proprietários mantenham apenas 20% da área como Reserva Legal — percentual menor que o exigido na Amazônia (80%).
“Celebramos a queda no desmatamento, mas vocês sabem que uma boa parte do desmatamento no Cerrado tem licença [para ser feito]”, afirmou a ministra. “Precisamos cada vez mais colocar o foco nas atividades produtivas sustentáveis”, acrescentou, ressaltando a importância de alternativas econômicas que preservem o bioma.
Estados concentram maior parte do desmate
Os principais responsáveis pelos alertas de desmatamento no Cerrado foram:
- Maranhão: 1.251 km² (22,5% do total)
- Tocantins: 1.237 km² (22,3%)
- Piauí: 1.163 km² (22%)
- Bahia: 732 km² (13,2%)
No período, o Ibama aplicou 831 autos de infração, resultando em R$ 607 milhões em multas. Foram emitidos 466 embargos, realizadas 434 apreensões e destruídos 71 equipamentos em operações de fiscalização.
Pantanal tem queda acentuada no desmatamento
O Pantanal registrou redução ainda mais expressiva: 72% menos desmatamento em comparação com o ciclo anterior. A área desmatada caiu de 1.148 km² (2023–2024) para 319 km² (2024–2025), equivalente à área urbana de Fortaleza (CE).
Além disso, as cicatrizes de queimadas no bioma recuaram 9%, passando de 17.646 km² para 16.125 km² no mesmo período.
João Paulo Capobianco, secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente (MMA), atribuiu os resultados à atuação da sala de situação interministerial, que coordena ações de 10 pastas. “Graças à implementação da sala de situação e a uma ação extremamente intensiva, conseguimos evitar que o dado desse período fosse muito maior”, disse.
Dados seguem padrão de monitoramento oficial
Os números são referentes ao “calendário do desmatamento”, que vai de 1º de agosto a 31 de julho, alinhado ao ciclo de monitoramento do INPE. O sistema DETER (Detecção de Desmatamento em Tempo Real) utiliza imagens de satélite para identificar desmatamento em áreas de floresta e vegetação nativa, servindo como base para ações de fiscalização e políticas públicas.
Com informações: ECO