Múltiplas linhas de evidência, incluindo registros históricos e representações artísticas, sugerem que existiram gladiadoras (ou gladiatrices) no Império Romano, embora fossem muito mais raras que seus pares masculinos. A participação de mulheres na arena levou o Senado Romano a emitir leis banindo mulheres de classes sociais mais altas de lutar, e o Imperador Septímio Severo proibiu totalmente as gladiadoras por volta de 200 d.C
O Império Romano é famoso por suas arenas, como o Coliseu, onde gladiadores lutavam em escaramuças sangrentas. A evidência histórica indica que, sim, algumas dessas guerreiras eram mulheres.
📜 Provas Históricas e Restrições Legais
A prova da existência de gladiadoras é limitada, mas consistente, abrangendo cerca de doze textos e inscrições, além de um número pequeno de artefatos que as retratam.
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Leis de Banimento: O fato de o Senado Romano ter aprovado leis em 11 d.C. e 19 d.C. banindo mulheres da classe alta e mulheres livres com menos de 20 anos de lutar como gladiadoras sugere que elas estavam participando ativamente.
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Proibição Imperial: Um texto menciona que por volta de 200 d.C., o Imperador Septímio Severo proibiu as gladiadoras porque, após um espetáculo, as piadas sobre a ferocidade das mulheres foram “direcionadas a outras mulheres muito proeminentes”.
Quem Eram as Gladiadoras?
Embora as mulheres em Roma estivessem geralmente excluídas da política e do serviço militar, elas tinham algumas liberdades, como possuir propriedades e fazer contratos.
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Status de Escravidão: A grande maioria dos gladiadores masculinos eram escravos, e a pesquisadora Anna Miączewska acredita que o mesmo era verdade para as mulheres gladiadoras, que eram principalmente escravas que cometeram crimes.
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Mulheres Livres e Dívidas: Outras fontes de gladiadoras poderiam ser mulheres livres com altas dívidas, forçadas a vender sua liberdade a uma escola de gladiadores.
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Classes Altas: Assim como houve exceções entre os homens (o Imperador Cômodo, por exemplo, lutou), textos antigos sugerem que algumas mulheres das classes sociais mais altas também competiam. O escritor Tácito escreveu que, durante o reinado de Nero (63 d.C.), “muitas senhoras e senadores distintos se desgraçaram na arena”.
⚔️ Como Competiam e Eram Selecionadas
Há incertezas sobre a forma como as gladiadoras eram selecionadas e treinadas, mas as representações artísticas e textuais dão algumas pistas:
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Relevo de Halicarnasso: Um famoso relevo na atual Turquia (Halicarnasso) retrata duas gladiadoras com os nomes de palco “Amazon vs Achillia”. Elas usam armadura associada a um tipo de gladiador (provocator) e lutam com os seios à mostra (como muitos gladiadores masculinos). Uma inscrição indica que foram “liberadas enquanto ainda estavam de pé”, sugerindo que nenhuma delas foi morta.
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Statueta: Outra estatueta mostra uma gladiadora segurando uma adaga curva (sica), arma usada por um gladiador tipo thraex. Ela não usa capacete e veste apenas um tapa-sexo e ataduras no joelho.
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Seleção e Aparência: O pesquisador Alfonso Mañas sugere que a aparência pode ter tido um papel na seleção, citando uma fonte antiga que dizia que as mulheres escolhidas eram “as mais bonitas”. Ele também suspeita que elas seriam proibidas de lutar até a morte, notando que nenhuma fonte escrita menciona a morte de uma gladiadora, e não foi encontrada nenhuma lápide de gladiadora (em comparação com mais de mil lápides de gladiadores masculinos).
A presença de gladiadoras era provavelmente um “espetáculo muito caro e exclusivo, fortemente associado ao imperador,” sendo oferecido em poucas ocasiões. O poeta Estácio (viveu de 45 a 96 d.C.) escreveu sobre gladiadoras, dizendo que o público poderia pensar que era “um bando de Amazonas lutando pelo rio Tanais…”.
Com informações: Live Science