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Sociedade

Bertha Lutz: A cientista e feminista brasileira que garantiu o voto feminino e a igualdade de gênero na Carta da ONU

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Bertha Lutz (1894-1976) consolidou-se como uma das figuras mais influentes do Brasil, sendo cientista de renome, museóloga e líder do movimento sufragista brasileiro, cuja atuação garantiu a inclusão do voto feminino no Código Eleitoral de 1932 e a menção explícita à igualdade de gênero na Carta das Nações Unidas em 1945

Bertha Lutz, cientista, feminista e intelectual brasileira, é uma figura de colossal importância, embora sua história seja pouco conhecida no Brasil. Nascida no Rio de Janeiro e filha de um prestigiado médico suíço, Lutz teve uma trajetória marcante que se estendeu da zoologia à alta diplomacia internacional.

Início da Trajetória e o “Feminismo Tático”

Seu primeiro grande feito acadêmico foi ser aceita na prestigiada Sorbonne, em Paris, no início do século XX, onde se formou em Ciências Naturais. Na Europa, ela foi introduzida aos movimentos da primeira onda feminista (sufragistas), que se tornariam cruciais para sua atuação no Brasil.

Ao retornar ao país, no fim da segunda década do século, ela se tornou chefe de seção no Museu Nacional e fundou a Liga pela Emancipação Intelectual da Mulher, mais tarde rebatizada como Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF).

  • Voto Feminino (1932): Usando um estilo conhecido como “feminismo tático” — baseado em pragmatismo e estratégia — Lutz se aproximou do governo de Getúlio Vargas, defendendo que a renovação da república deveria incluir os direitos políticos da mulher. O movimento da FBPF foi acatado por Vargas, resultando na inclusão do direito ao voto feminino no Código Eleitoral Provisório de 1932, um marco da democracia brasileira. Essa vitória a possibilitou ser eleita suplente para deputada federal em 1934.

Contribuições à Ciência e ao Legado Global

Paralelamente à política, Bertha Lutz desenvolveu uma extensa carreira científica no Museu Nacional, com notável contribuição no campo da zoologia, especialmente no estudo de répteis e anfíbios. Ela também atuou no Conselho Nacional de Educação, importando noções de pedagogia na museologia dos EUA para o Brasil.

Sua maior influência no plano internacional ocorreu na Conferência de São Francisco (1945), que fundou a Organização das Nações Unidas (ONU). Como uma das únicas seis mulheres entre centenas de delegados, Bertha Lutz liderou um movimento, com apoio de delegações latino-americanas, para incluir a igualdade de gênero na Carta da ONU.

  • Igualdade na Carta da ONU: O detalhe crucial da “igualdade de direitos dos homens e das mulheres” no preâmbulo da Carta, que moldou a Ordem Internacional e as políticas domésticas dos países-membros, é amplamente creditado à defesa incansável de Bertha Lutz.

A história de Bertha Lutz, com sua virtuosidade na ciência, feminismo e diplomacia, é fundamental para a construção de uma memória nacional que valorize os intelectuais que contribuíram para o progresso do país.

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Com informações: Diplomatique

Sociedade

Desigualdade Digital: Vulnerabilidade limita o acesso, mas não o interesse de jovens por Inteligência Artificial

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Pesquisa da Demà e Nexus revela que jovens de famílias cadastradas no CadÚnico veem a IA como essencial para o futuro profissional e têm mais desejo de se capacitar do que jovens de classes mais altas

A inteligência artificial (IA) já é uma realidade no cotidiano da juventude brasileira, mas o abismo socioeconômico dita o ritmo dessa familiaridade. Segundo um levantamento inédito realizado pela Demà e pela Nexus, jovens em situação de vulnerabilidade (aqueles vinculados ao CadÚnico ou beneficiários de programas como Bolsa Família e BPC) possuem menor contato diário com a tecnologia em comparação aos jovens de maior renda, embora demonstrem um entusiasmo superior em dominar essas ferramentas.

Os dados mostram que 84% dos jovens vulneráveis conhecem a IA, contra 93% dos que estão fora dessa condição. A discrepância aumenta no uso cotidiano: enquanto 73% dos jovens com melhores condições financeiras utilizam IA diariamente, o índice cai para 63% entre os mais pobres. Para Juan Carlos Moreno, diretor da Demà, os números provam que, apesar de a tecnologia não ser mais tão elitista quanto no passado, o hiato de conhecimento e acesso ainda é um desafio estrutural.

Percepção aguçada e uso funcional

Curiosamente, a vulnerabilidade não impede a percepção de onde a tecnologia está aplicada. Jovens em situação de vulnerabilidade reconhecem mais o uso de IA em assistentes de voz como Siri e Alexa (94%) do que os jovens de classes superiores (92%).

Quanto à finalidade do uso, os perfis se dividem:

  • Jovens em Vulnerabilidade: Lideram o uso de IA para pesquisas no Google (85%) e tradução de textos (72%).

  • Jovens com Maior Renda: Utilizam a tecnologia de forma mais criativa e produtiva, como na criação de imagens (64%), geração de ideias (67%) e preparação de relatórios e apresentações (54%).

O desejo de aprender como porta para o futuro

O ponto mais relevante da pesquisa reside na expectativa profissional. Para 66% dos jovens vulneráveis, o domínio da IA será essencial para sua carreira, superando os 62% registrados entre os jovens mais favorecidos. Além disso, 72% acreditam que a tecnologia ajuda no aprendizado.

O interesse em cursos de capacitação revela a sede por oportunidades:

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  • 71% dos jovens em vulnerabilidade pretendem fazer cursos de IA.

  • 61% dos jovens fora dessa condição manifestam o mesmo interesse.

Essa diferença de 10 pontos percentuais sugere que a parcela da juventude que mais depende de políticas públicas enxerga na inteligência artificial uma chance real de ascensão social e inserção qualificada no mercado de trabalho.

Metodologia e Impacto

A Nexus entrevistou 2.016 cidadãos entre 14 e 29 anos em todo o Brasil. Os resultados reforçam a necessidade de investimentos em educação tecnológica voltada para as periferias, garantindo que a IA seja uma ferramenta de inclusão e não um novo motor de desigualdade social.


Com informações: Nexus, Demà, FSB Holding

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Brasil

Dia em Memória das Vítimas do Holocausto: Lula reforça defesa dos Direitos Humanos e combate ao ódio

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Em mensagem oficial, o presidente lembrou a participação do Brasil na criação da data pela ONU e alertou para os perigos do autoritarismo e do preconceito religioso no século XXI

Nesta terça-feira, 27 de janeiro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou suas redes sociais para marcar o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. O chefe do Executivo enfatizou a necessidade de recordar as atrocidades cometidas pelo regime nazista para evitar que discursos de ódio e o preconceito étnico voltem a ameaçar as instituições democráticas.

Lula destacou que a tragédia, que ceifou a vida de milhões de judeus, ciganos, poloneses, homossexuais e pessoas com deficiência durante a Segunda Guerra Mundial, foi construída sobre as bases do autoritarismo. “É preciso recordar os horrores que a humanidade é capaz de cometer contra o próprio ser humano”, afirmou o presidente.

O papel do Brasil na oficialização da data

Um ponto central da mensagem foi o resgate histórico da participação do governo brasileiro na criação do marco internacional. Lula lembrou que:

  • Em 2004: Durante encontro com Israel Singer, do Congresso Judaico Mundial, ele assinou a petição endereçada à ONU para o estabelecimento oficial da data.

  • Em 2005: A Organização das Nações Unidas aprovou a resolução, fixando o 27 de janeiro como o dia de tributo às vítimas.

A escolha da data não é aleatória: em 27 de janeiro de 1945, as tropas aliadas revelaram ao mundo as atrocidades do campo de concentração de Auschwitz, na Polônia (então sob ocupação da Alemanha nazista), libertando os sobreviventes e expondo a magnitude do genocídio.

Defesa da Democracia e Solidariedade

Para o presidente, o dia de hoje deve ser visto como um compromisso contínuo com a convivência pacífica. Lula manifestou solidariedade às milhões de famílias destruídas pela tragédia e reforçou que a democracia e os Direitos Humanos são os únicos instrumentos capazes de garantir um mundo mais justo para as gerações futuras.

“Um dia de defesa dos Direitos Humanos, da convivência pacífica e das instituições democráticas, elementos fundamentais do mundo mais justo que queremos deixar para as próximas gerações”, concluiu o presidente.

A data de hoje é celebrada mundialmente com eventos que buscam educar a sociedade sobre os perigos da intolerância e do negacionismo histórico.

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Com informações: Agência Brasil

 

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Comportamento

Proteção Digital: Roblox endurece regras e ONG alerta para a importância do controle parental

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Medida de verificação etária na plataforma de jogos reacende debate sobre segurança online; Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (2025) estabelece responsabilidade compartilhada entre famílias, empresas e governo

A proteção de crianças e adolescentes na internet ganhou um novo capítulo este mês com a atualização das regras da plataforma Roblox. A partir de agora, o chat do jogo exige confirmação de idade para garantir que os usuários interajam apenas com pessoas de faixas etárias próximas. A mudança, embora tenha gerado protestos de jovens usuários, é vista por especialistas como um passo necessário em um cenário onde 85% dos jovens entre 9 e 17 anos já possuem perfis em redes digitais.

Para a Plan Brasil, ONG referência na defesa dos direitos infantojuvenis, o momento é de consolidação da “responsabilidade compartilhada”. Em 2025, o Brasil deu um passo decisivo com a aprovação do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (Lei nº 15.211/2025), que obriga plataformas a adotarem mecanismos de proteção integral e impõe deveres de conformidade para evitar abusos e exposições inadequadas.

O papel de cada setor na segurança online

Ana Nery, especialista da Plan Brasil, ressalta que a proteção eficaz depende de uma tríade de atuação:

  • Plataformas: Devem investir em sistemas robustos de verificação etária, moderação de conteúdo escalável (incluindo IA para detectar comportamentos suspeitos) e ferramentas nítidas de controle parental.

  • Governo: Atua na fiscalização rigorosa da Lei nº 15.211/2025, aplicando penalidades por descumprimento e promovendo políticas de cidadania digital.

  • Responsáveis: Devem exercer o monitoramento ativo, estabelecendo regras claras de navegação e, acima de tudo, mantendo um canal de diálogo aberto com os filhos sobre os riscos do ambiente virtual.

“Quando falamos em proteção, vai muito além das restrições. É importante que crianças e adolescentes saibam identificar uma situação de risco, como um assédio, e sintam segurança para buscar ajuda”, afirma Ana Nery.

Desafios da Infância Conectada em 2026

Com o avanço de tecnologias como inteligência artificial e mundos imersivos, os riscos de privacidade e segurança tornaram-se mais complexos. A Plan Brasil pondera que as experiências vividas online hoje influenciam diretamente a formação emocional e cognitiva das novas gerações.

Garantir um ambiente seguro significa reduzir riscos imediatos de crimes cibernéticos e promover um uso saudável da tecnologia que não aprofunde desigualdades. O reconhecimento desse trabalho rendeu à organização, em 2025, o Prêmio Direitos Humanos, na categoria “Garantia dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes”.

Dicas práticas para pais e responsáveis:

  1. Ative o controle parental: Utilize ferramentas nativas do sistema operacional (como Google Family Link ou Apple Screen Time) e das próprias plataformas de jogos.

  2. Verifique a classificação etária: Respeite as indicações de idade de aplicativos e jogos.

  3. Estabeleça horários: O uso equilibrado da tecnologia evita a sobrecarga emocional e cognitiva.

  4. Eduque sobre privacidade: Ensine a nunca compartilhar dados pessoais (endereço, escola, telefone) com desconhecidos em chats.


Com informações: Plan Brasil, Agência Virta, CETIC

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