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O Lidar (Light Detection and Ranging) transformou a arqueologia. Ao disparar milhões de pulsos de laser de uma aeronave, pesquisadores conseguem mapear o relevo do solo ignorando a densa copa das árvores. O resultado são mapas 3D detalhados que revelam pirâmides, estradas e cidades inteiras que ficaram escondidas por séculos.
No entanto, pesquisadores e líderes indígenas em 2026 estão levantando uma questão fundamental: é ético mapear do céu o que não se tem permissão para pisar no chão?
O artigo destaca o caso de La Mosquitia, em Honduras. Em 2015, o anúncio da descoberta de uma “Cidade Perdida” via Lidar atraiu a atenção global e expedições políticas (incluindo o ex-presidente Juan Orlando Hernández).
O Problema: A região não estava “perdida”; o povo Miskitu vive lá há gerações e conhece os sítios.
A Consequência: A narrativa de “descoberta” ignora o conhecimento local e facilita a remoção de artefatos sem consulta aos descendentes, configurando uma forma de extrativismo tecnológico.
Christopher Hernandez propõe um modelo diferente, aplicado em sua pesquisa com os Hach Winik (Lacandões Maias), no México. Em vez de simplesmente sobrevoar a área, o processo seguiu etapas de respeito à autonomia:
A “Asamblea”: O projeto foi apresentado em um fórum público local, com tradução para a língua indígena.
Consentimento Informado: A comunidade discutiu os riscos (como o aumento de saques por atenção da mídia) e os benefícios (turismo responsável e registro territorial).
Ciência como Relacionamento: O Lidar deixou de ser uma ferramenta de extração para se tornar um registro do patrimônio para a própria comunidade.
“O verdadeiro desafio não é mapear mais rapidamente ou com maior detalhe, mas sim saber se podemos fazê-lo de forma justa e humana”, afirma Hernandez.
No Brasil, especialmente na Amazônia, o uso do Lidar tem revelado geoglifos e complexos urbanos imensos. O debate sobre o consentimento das comunidades tradicionais é vital para que a arqueologia de 2026 não repita os erros coloniais do passado, tratando terras habitadas como “vazios demográficos” prontos para serem explorados.
Com informações: Live Science / Christopher Hernandez / The Conversation
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