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O debate sobre a modernização das relações de trabalho no Brasil ganhou força definitiva neste início de fevereiro de 2026. Em um movimento coordenado entre o Palácio do Planalto e as presidências da Câmara e do Senado, o fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso) e a redução da jornada para 40 horas semanais foram colocados no topo da agenda prioritária para o primeiro semestre.
A sinalização mais contundente veio da mensagem presidencial enviada ao Congresso na última segunda-feira (2), onde o tema foi tratado como fundamental para a justiça social. Paralelamente, o líder do governo na Câmara confirmou que um projeto de lei com urgência constitucional será enviado logo após o Carnaval, buscando unificar as diversas propostas que já tramitam nas casas legislativas, como a PEC 148/2015, do senador Paulo Paim (PT-RS).
Os defensores da medida apresentam dados alarmantes para justificar a urgência da mudança. Em 2024, o INSS registrou mais de 472 mil afastamentos decorrentes de transtornos mentais e síndromes de esgotamento (burnout). Para o senador Paulo Paim, a escala 6×1 com 44 horas semanais é um modelo “desgastado” que compromete a produtividade e a saúde pública.
Outro ponto central é o recorte de gênero. Estudos indicam que as mulheres brasileiras acumulam até 11 horas diárias de sobrejornada ao somar o emprego formal aos trabalhos domésticos e de cuidado. A redução da carga horária semanal para 36 ou 40 horas teria um impacto direto na qualidade de vida da população feminina e dos trabalhadores de menor escolaridade, que hoje detêm as jornadas mais longas e precarizadas.
O Brasil ainda figura entre os países com maior carga horária média do mundo, superando nações como Estados Unidos, Coreia do Sul e a maioria da Europa. Enquanto a média brasileira é de 39 horas reais (com teto de 44h), países de alta produtividade como a Alemanha trabalham, em média, 33 horas semanais.
| País / Região | Jornada Média Semanal | Status Legislativo Recente |
| Brasil | 39h (Teto 44h) | Em discussão (Fim da 6×1) |
| Alemanha | 33h | Referência em produtividade |
| Chile | 40h | Redução aprovada em 2023 |
| União Europeia | 36h | Média regional consolidada |
| México | 40h | Redução gradual aprovada |
Apesar do avanço político, a resistência de setores do comércio e da hotelaria permanece. O argumento empresarial clássico é de que a redução da jornada aumentaria o custo da mão de obra e geraria desemprego. Entretanto, parlamentares rebatem afirmando que a melhoria na satisfação do trabalhador reduz a rotatividade (turnover) e os custos com afastamentos médicos, além de estimular o mercado de consumo interno ao garantir mais tempo livre para o lazer e a educação.
A expectativa é que, após o feriado de Carnaval, o governo apresente uma “concertação” — uma redação única que englobe os pontos positivos de todos os projetos em tramitação. A estratégia visa garantir uma aprovação célere, aproveitando o clima favorável na opinião pública e a necessidade de entregar conquistas sociais concretas ainda em 2026.
Com informações: Brasil de Fato
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