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Sociedade

A crise de moradia e a injustiça climática contra pessoas trans

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Rejeição familiar precoce e falta de políticas públicas específicas empurram população trans para áreas de risco e moradias inabitáveis; 29% saem de casa antes dos 15 anos

Para muitas pessoas trans e travestis, a jornada em busca de um teto começa com uma ruptura traumática. Dados da Habitat para a Humanidade Brasil revelam que, em São Paulo, quase um terço das pessoas trans é expulsa ou sai de casa antes dos 15 anos. Sem o apoio da rede familiar e enfrentando barreiras no mercado formal de aluguel, o destino frequente são ocupações, abrigos ou o mercado informal em áreas periféricas.

A Transfobia Ambiental na Prática

A precariedade habitacional não é apenas sobre a falta de uma parede firme; é sobre onde essas moradias estão localizadas. A reportagem destaca que essa população é empurrada para:

  • Áreas de Risco: Encostas e regiões sujeitas a alagamentos, onde o valor do aluguel “de boca” é o único acessível.

  • Insalubridade: Prédios com infiltrações, mofo e saneamento precário, que agravam problemas de saúde como alergias e rinite.

  • Insegurança Social: Exposição a assédios e violências de vizinhos, sem a proteção do Estado ou de contratos formais.

“A moradia talvez seja um dos pontos mais latentes para essas injustiças climáticas, porque é um nível de insegurança que eu nem sei explicar”, desabafa Sareh Benjamin, professor e biólogo.

O Vácuo de Políticas Públicas e Dados

Um dos maiores desafios para 2026 é a ausência de dados oficiais. O Brasil ainda não realiza um levantamento quantitativo adequado sobre a realidade habitacional trans, o que torna as soluções “tímidas” ou inexistentes.

  • Mercado de Aluguel: Muitas imobiliárias recusam-se a alugar para pessoas trans, mesmo quando há renda, forçando-as à informalidade.

  • Falta de Recorte Específico: Programas de habitação do governo, como o Minha Casa Minha Vida, ainda carecem de cotas ou recortes que priorizem essa população vulnerável.

A Agenda Trans 2030: O Caminho para o Futuro

Diante da proximidade da COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas) no Brasil, movimentos como a Liga João W. Nery lançaram a Agenda de Políticas Públicas para Pessoas Trans 2030. As propostas incluem:

  1. Justiça Climática Interseccional: Soluções que considerem raça, gênero e território.

  2. Programas de Abrigo e Aluguel Social: Benefícios voltados especificamente para a comunidade trans, priorizando profissionais do sexo e famílias LGBTQIA+.

  3. Moradia Digna como Direito Humano: Combate à discriminação em imobiliárias e criação de redes de acolhimento estatais.


Com informações: Carín Nuru /  Diplomatique / Habitat para a Humanidade

 

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