Estudos da Universidade de Stanford sugerem que traços autísticos podem ser um resultado da aceleração cognitiva da espécie; Autistas Brasil defende políticas públicas baseadas na neurodiversidade, não na patologia.
A forma como a sociedade enxerga o Transtorno do Espectro Autista (TEA) está passando por uma revolução silenciosa nos laboratórios de genética e psicologia ao redor do mundo. Novas pesquisas indicam que o autismo não é um “erro” de percurso, mas sim uma variação cognitiva que pode estar intrinsecamente ligada à própria evolução do cérebro humano.
Um estudo recente publicado na revista Molecular Biology and Evolution, por pesquisadores de Stanford, identificou que os neurônios do neocórtex humano passaram por uma evolução acelerada. Essa transformação aumentou nossas capacidades cognitivas, mas, como um “efeito colateral” evolutivo, também elevou a probabilidade de traços autísticos.
Neurodiversidade como Resiliência Social
Para a organização Autistas Brasil, liderada por pessoas no espectro, esses dados são fundamentais para romper com visões que apenas buscam “curar” ou “uniformizar” as mentes.
“Assim como a biodiversidade garante a estabilidade dos ecossistemas, a diversidade cognitiva sustenta a criatividade e a adaptabilidade da nossa cultura”, afirma Guilherme de Almeida, presidente da entidade. Segundo ele, o autismo é um sinal de que o cérebro humano se transformou em múltiplas direções para enfrentar diferentes desafios.
O Aumento dos Diagnósticos e a Vida Moderna
Atualmente, estima-se que uma em cada 36 crianças seja diagnosticada com TEA (dados dos EUA). Além da maior conscientização, cientistas discutem a teoria do “acasalamento assortativo”: em uma sociedade tecnológica, pessoas com perfis cognitivos voltados à sistematização e lógica tendem a se unir, o que pode estar ampliando a frequência desses traços na população.
O Desafio das Políticas Públicas em 2026
O reconhecimento da neurodiversidade exige que as políticas públicas no Brasil — especialmente em Brasília e regiões metropolitanas — deixem de ser apenas assistencialistas para se tornarem inclusivas de fato.
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Educação: Formação de educadores para lidar com diferentes formas de processamento de informação.
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Saúde: Foco em suporte e qualidade de vida, eliminando o estigma da “patologia”.
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Mercado de Trabalho: Valorização de habilidades específicas de sistematização e foco, comuns no espectro.
“A evolução não nos pede uniformidade, nos pede compreensão”, reforça Guilherme de Almeida.
Sobre a Autistas Brasil
Referência nacional em direitos humanos, a organização já capacitou mais de 21 mil educadores nos últimos três anos, atuando diretamente na formulação de leis e programas de inclusão que respeitem a identidade autista.
Com informações: Autistas Brasil / Assessoria de Imprensa.



