Uma pesquisa do Conselho Federal de Farmácia (CFF) revela que 70% dos brasileiros descartam medicamentos vencidos ou em desuso no lixo comum ou no vaso sanitário, apesar de o Brasil gerar cerca de 14 mil toneladas anuais desse resíduo. Segundo especialistas, a prática é um grave risco, pois os fármacos liberam substâncias químicas ativas que contaminam o solo e rios, podendo causar resistência bacteriana. Desde 2020, o país possui a política de Logística Reversa, que obriga farmácias de grandes cidades a terem pontos de coleta
O descarte incorreto de medicamentos no Brasil é um problema de saúde pública e ambiental de grandes proporções. Apesar de o país gerar cerca de 14 mil toneladas de medicamentos vencidos anualmente, 70% da população ainda os descarta de forma inadequada— no lixo comum ou no vaso sanitário, conforme pesquisa do Conselho Federal de Farmácia (CFF).
☣️ Riscos Ambientais e à Saúde
A professora de Farmácia Adriana Nascimento (UniBH) alerta que o descarte impróprio libera substâncias químicas ativas no meio ambiente, contaminando solo, rios, lagos e lençóis freáticos. Esses compostos, que incluem antibióticos, hormônios, analgésicos e antidepressivos, permanecem ativos por longos períodos, desequilibrando o ecossistema e alterando o metabolismo de organismos vivos.
Um risco particularmente preocupante é a resistência bacteriana.
“Quando antibióticos são descartados inadequadamente, podem tornar bactérias presentes no ambiente resistentes, o que traz sérios riscos à saúde da população,” explica a especialista.
A falta de orientação e a carência de pontos de coleta acessíveis, especialmente em cidades menores, agravam o cenário.
🔄 Logística Reversa: A Solução Legal
Para combater o problema, o Brasil conta, desde 2020, com o Decreto nº 10.388, que instituiu a política de Logística Reversa de medicamentos de uso domiciliar. A norma estabelece que:
- Farmácias e drogarias de municípios com mais de 100 mil habitantes são obrigadas a disponibilizar pontos de entrega voluntária para o recolhimento.
- Os medicamentos vencidos, em desuso, blisters, frascos e ampolas devem ser entregues nestes pontos. Seringas, agulhas e pilhas devem ser descartados em locais apropriados e não nos pontos de coleta de fármacos.
Após a coleta, os resíduos são encaminhados para unidades especializadas, onde são submetidos a processos controlados, como a incineração em altas temperaturas, para desativar a toxicidade e garantir a destinação final ambientalmente correta.
A farmacêutica reforça que o farmacêutico e o posto de saúde são os pontos de referência para a conscientização e o correto encaminhamento do material, tornando o descarte consciente uma questão de responsabilidade coletiva.
Com informações: CFF / Instituto Datafolha / UniBH