A descoberta da supernova SN 1997D e a composição de um satélite da NASA estão entre os feitos de cientistas brasileiros
A astronomia está entre uma das ciências mais antigas do mundo. Antes do academicismo, civilizações antigas já tentavam entender como funcionava o espaço, os planetas e seus fenômenos.
Com o avanço da ciência, e unindo áreas como a física, matemática e tecnologia, foi possível desmistificar alguns conceitos difundidos por décadas, mas notoriamente equivocados. Como, por exemplo, a teoria do geocentrismo, que acreditava que Sol, a Lua e demais astros giravam ao redor da Terra.
No Brasil, em 1958, foi fundado o primeiro curso de graduação em astronomia. Com duração de cinco anos, a formação passou a fazer parte da grade de ensino da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Além dela, hoje em dia mais duas instituições ofertam o curso, a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de Sergipe (UFS).
Sendo assim, o Brasil também se tornou um polo de efervescência intelectual nesta área, trazendo descobertas e apontamentos importantes sobre a astronomia. Por isso, o Olhar Digital selecionou 5 cientistas brasileiros, homens e mulheres vanguardistas e também contemporâneos, que contribuíram para a astronomia.
5 cientistas brasileiros que contribuíram para a astronomia
1 – Lélio Gama
Nascido no Rio de Janeiro, Lélio Gama foi um astrônomo, matemático e cientista brasileiro. Chegou a ser diretor do Observatório Nacional por 16 anos, uma das maiores instituições científicas do país.
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Na sua gestão, foi criado em 1957 o Observatório Magnético de Tatuoca. Localizado em uma ilha desabitada a 12 quilômetros da costa de Belém do Pará, ele faz parte da rede internacional de observatórios, a Intermagnet. O observatório estuda o campo magnético e o papel dos fenômenos geofísicos da Terra.
Embora o observatório exista desde 1933 como uma instalação temporária, foi na gestão de Lélio Gama que começou a fazer medições contínuas que se mostraram essenciais para o entendimento do equador magnético e do eletrojato equatorial, dois fenômenos geomagnéticos importantes. Lélio Gama faleceu em julho de 1981.
2 – Mário Schenberg
Natural de Recife, Mário Schenberg foi um conceituado físico e matemático pernambucano. Em 1942, fez sua grande contribuição para a astrofísica no Brasil, criando o Critério Schenberg-Chandrasekhar.
O limite de Schenberg-Chandrasekhar se tornou fundamental para entender a evolução de estrelas com massa 1,5 e 6 vezes a do Sol. Para estrelas mais leves ou mais pesadas, o processo de fusão e ruptura podem ser distintos.
Esse conceito é fundamental na astrofísica porque ajuda a explicar a evolução e o fim de diversas estrelas.
Schenberg também foi um pacifista, defendendo o desarmamento nuclear global. (Imagem: Reprodução: Angelina Miranda/Olhar Digital).
O cientista brasileiro atuou ainda na política, sendo deputado estadual por duas vezes. Durante seus mandatos ficou conhecido por defender bandeiras como a do “Petróleo é Nosso”, em 1948, bem como a defesa de um fundo de amparo à pesquisa, que anos mais tarde serviu de base para a criação da Fapesp. Mário Schenberg faleceu em novembro de 1990.
3 – Rubens de Azevedo
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Natural de Fortaleza, Rubens de Azevedo foi um conceituado astrônomo e escritor cearense. Especializou-se na selenografia, que é uma subdivisão da astronomia que estuda especificamente a Lua.
Entendendo a importância desse astro, criou em 1948 a Sociedade Brasileira de Selenografia em São Paulo. Também é dele a criação do Primeiro Mapa Lunar Brasileiro, que pode ser visto no Museu de Astronomia, no Rio de Janeiro.
Outro feito importante do cientista brasileiro aconteceu durante a observação de um eclipse, ele descobriu um vale lunar que foi confirmado posteriormente por observatórios chilenos. À época, sugeriram o batismo de “Vale Azevedo” à União Astronômica Nacional.
Além disso, chegou a colaborar com a NASA, foi membro ativo por seis anos do Lunar International Observers Network. Rubens de Azevedo faleceu em janeiro de 2008.
4 – Duília de Mello
Paulista de Jundiaí, Duília de Mello é astrônoma e professora. Ela foi responsável pela descoberta da supernova SN 1997D, que se trata de uma explosão estrelar.
Nesse processo de vida-morte-vida, a ruptura de uma estrela espalha elementos químicos no espaço que serão responsáveis futuramente pelo nascimento de novas estrelas. A descoberta foi feita em 1997, durante uma expedição no Chile.
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Formada em Astronomia pela UFRJ, Duília chegou a dar aula na Suécia. (Imagem: Reprodução: Angelina Miranda/Olhar Digital).
Reconhecida internacionalmente, Duília integrou em 2022 a Forbes 50+, ação que visa homenagear profissionais que tiveram grandes feitos após os 50 anos. Atualmente, ela é vice-reitora da Universidade Católica de Washington, nos Estados Unidos.
5 – Vivian Miranda
Nascida no Rio de Janeiro, Vivian Miranda é uma mulher trans e renomada astrofísica carioca. Graduou-se em física pela UFRJ e fez um doutorado em cosmologia pela Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, além de dois pós-doutorados, um na Pensilvânia e outro no estado do Arizona.
Vivian Miranda também é membro do Instituto Brasileiro de Trans Educação, ong que reúne pessoas trans que estão dentro de instituições de ensino. (Imagem: Arquivo pessoal)
Atualmente, é a única cientista brasileira a integrar um projeto da NASA que desenvolve um satélite avaliado em R$ 13 bilhões, que está previsto para ser lançado em algum momento entre 2026 e 2027.
O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman (anteriormente chamado de WFIRST) está sendo projetado para captar imagens próximas à lua visando a descoberta de novos planetas. A cientista também recebeu o prêmio Leona Woods Lectureship Award, que reconhece o trabalho de cientistas mulheres.
Conhecida como o “Olho de Deus”, a nebulosa planetária foi capturada em infravermelho, mostrando os estágios finais de uma estrela e oferecendo um vislumbre do futuro do nosso Sol
Uma nova e espetacular imagem da Nebulosa Helix (NGC 7293), compartilhada em 20 de janeiro de 2026, capturada pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST), está oferecendo aos astrônomos uma visão sem precedentes dos estertores da morte de uma estrela. Localizada a cerca de 655 anos-luz de distância, na constelação de Aquário, a Helix é uma das nebulosas planetárias mais próximas da Terra, o que a torna um laboratório natural ideal para estudar o fim do ciclo de vida estelar.
A imagem utiliza a tecnologia de infravermelho próximo do JWST para perfurar camadas de poeira que eram opacas para telescópios anteriores. O resultado é uma exibição vibrante de estruturas que se assemelham a um saca-rolhas ou a um olho humano — apelidos como “Olho de Deus” ou “Olho de Sauron” são frequentemente atribuídos à sua aparência dramática.
Reciclagem cósmica e a semeadura de elementos vitais
Apesar do nome, uma nebulosa planetária não tem relação direta com planetas. O termo é uma herança histórica dos primeiros astrônomos, que viam essas nuvens circulares através de telescópios rudimentares e as confundiam com discos planetários. Na realidade, trata-se de uma nuvem de gás e poeira expelida por uma estrela semelhante ao Sol que esgotou seu combustível nuclear.
À medida que a estrela se transforma em uma anã branca — um núcleo denso e extremamente quente visível no centro da nebulosa —, ela ioniza o gás ao seu redor. Esse processo faz com que o hidrogênio e o hélio brilhem em cores intensas. Mais importante ainda, esse evento espalha pelo espaço elementos fundamentais como carbono, oxigênio e nitrogênio. Esses materiais são os blocos de construção essenciais para a formação de futuras estrelas, planetas e, potencialmente, da vida.
A precisão do infravermelho revela a anatomia da destruição
A câmera infravermelha do James Webb permitiu observar milhares de filamentos dourados e alaranjados conhecidos como “nós cometários”. Essas estruturas se formam onde os ventos estelares velozes da anã branca colidem com as camadas de gás mais frias e lentas que foram liberadas anteriormente.
Região Central (Azul): O brilho azulado próximo à anã branca é resultado da intensa radiação ultravioleta inflamando o gás ionizado.
Periferia (Amarelo e Vermelho): Nas bordas mais distantes e frias, predomina o hidrogênio molecular e a poeira cósmica, representados em tons quentes.
Ciclo de Vida: A imagem captura o exato momento em que a matéria estelar é devolvida ao meio interestelar, funcionando como um grande centro de reciclagem cósmica.
O destino do Sol previsto pela Nebulosa Helix
Para os cientistas, observar a Nebulosa Helix é como olhar para um “espelho do futuro”. Estrelas com massa similar à do nosso Sol passam exatamente por esse processo de expansão para uma gigante vermelha antes de colapsarem em uma anã branca, ejetando suas camadas externas no processo.
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Estima-se que o nosso próprio Sol seguirá um caminho idêntico em cerca de 5 bilhões de anos. Quando isso ocorrer, o sistema solar interno será consumido pela expansão solar, e o que restará será uma nebulosa brilhante, semelhante à Helix, marcando o fim da era do Sol como uma estrela da sequência principal. A imagem do JWST não é apenas uma obra de arte estética, mas um registro documental da evolução estelar que rege o universo.
Você já parou para pensar que o seu nariz está sempre ali, bem no meio do seu rosto, mas você raramente o percebe? A ciência explica que isso não é uma falha ocular, mas sim uma sofisticada estratégia de sobrevivência do cérebro humano
De acordo com Michael Webster, cientista da visão da Universidade de Nevada, nós tecnicamente “vemos” o nariz o tempo todo. No entanto, o cérebro filtra essa informação através de um processo chamado adaptação sensorial. Como o nariz é uma característica imutável e constante, o sistema nervoso decide que processar essa imagem seria um desperdício de energia.
A Visão como uma Previsão, não uma Câmera
Ao contrário de uma câmera fotográfica, que registra cada detalhe de uma cena, o cérebro humano funciona como um artista que constrói um modelo útil da realidade.
Economia de Recursos: O cérebro foca em “surpresas” e mudanças no ambiente (como um predador se movendo ou um obstáculo no caminho) em vez de focar no que já é conhecido e seguro.
Filtro Biológico: Se tivéssemos consciência constante de tudo o que está em nosso campo de visão — como os vasos sanguíneos dentro dos nossos próprios olhos — ficaríamos sobrecarregados.
Truques da Mente: Pontos Cegos e Vasos Sanguíneos
O nariz não é a única coisa que o cérebro esconde de você para facilitar a sua vida:
O Ponto Cego: Existe um local em cada olho onde o nervo óptico se conecta à retina. Ali, não há fotorreceptores. Em vez de você enxergar um “buraco” preto no mundo, o seu cérebro preenche o espaço com base no que está ao redor (por exemplo, se você olha para uma parede branca, ele assume que o ponto cego também é branco).
Vasos Sanguíneos Oculares: Temos vasos sanguíneos na frente dos nossos fotorreceptores. Nós “olhamos através de galhos”, mas o cérebro cancela essas sombras. Você só as percebe durante exames oftalmológicos, quando uma luz em um ângulo diferente projeta sombras incomuns.
Como voltar a “ver” seu nariz agora mesmo?
Embora o cérebro tente ignorá-lo, você pode forçar a percepção consciente:
Feche um olho.
Foque em um ponto distante à sua frente.
Observe o borrão carnudo no canto inferior da sua visão.
Curiosidade: Agora que você leu este texto, provavelmente ficará “hiperconsciente” do seu nariz pelos próximos minutos até que seu cérebro decida arquivar essa informação novamente.
Resumo: Realidade vs. Modelo Útil
Recurso Visual
O que o Cérebro faz
Por que ele faz isso
Nariz
Ignora / Apaga
Evitar distração constante no centro da visão.
Ponto Cego
Preenche com texturas
Evitar a percepção de lacunas na visão periférica.
Vasos do Olho
Cancela as sombras
Garantir uma imagem limpa do mundo exterior.
“O modelo que vemos não nos diz necessariamente qual é a realidade do mundo, mas sim a informação que precisamos para sobreviver.” — Michael Webster.
Tratamento experimental SN101, testado em camundongos, utiliza neurônios sensoriais modificados para sequestrar sinais inflamatórios e até promover o reparo de cartilagens
Uma inovação biotecnológica pode representar o fim da dependência de opioides para pacientes com dor crônica. Pesquisadores da Escola de Medicina Johns Hopkins, liderados pelo Dr. Gabsang Lee, desenvolveram a terapia SN101, uma técnica que utiliza células-tronco pluripotentes humanas (hPSC) para criar neurônios “iscas”. O estudo, publicado em dezembro de 2025 no servidor bioRxiv, demonstra que esses neurônios, quando injetados em articulações com osteoartrite, funcionam como uma esponja, absorvendo gatilhos de dor e inflamação antes que cheguem ao cérebro.
Diferente dos tratamentos convencionais para doenças neurodegenerativas, que tentam substituir neurônios mortos, o SN101 introduz novos neurônios que coexistem com os originais. Eles agem como um escudo biológico, ligando-se a fatores inflamatórios no local da lesão. Surpreendentemente, além de aliviar a dor, o experimento mostrou que os neurônios modificados ajudaram no reparo ósseo e da cartilagem nos camundongos testados.
Como funciona a terapia SN101
A lógica por trás da “esponja para dor” é atacar a causa na origem, em vez de apenas bloquear a percepção no sistema nervoso central:
Ação Localizada: Neurônios derivados de células-tronco são injetados diretamente na articulação (como o joelho).
Sequestro de Sinais: Eles possuem receptores naturais que “capturam” as citocinas inflamatórias, impedindo que elas estimulem os neurônios sensoriais do próprio corpo.
Vantagem sobre Opioides: Enquanto os opioides atuam no cérebro e geram riscos de dependência e náuseas, o SN101 atua apenas onde a dor é gerada, com potencial de longa duração.
Desafios e Próximos Passos em 2026
Apesar dos resultados promissores, a comunidade científica mantém a cautela. Chuan-Ju Liu, professor da Universidade de Yale, destaca que a pesquisa ainda está em fase pré-clínica.
Desafio
Detalhes
Diferença Biológica
As articulações humanas são maiores, mais complexas e sofrem estresse mecânico por décadas, diferente dos camundongos.
Resposta Imune
É preciso garantir que o corpo humano não rejeite os neurônios injetados (imunogenicidade).
Durabilidade
Estudos de longo prazo são necessários para saber quanto tempo os neurônios injetados permanecem ativos e funcionais.
Toxicologia
Testes formais de segurança devem preceder os primeiros ensaios clínicos com humanos.
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