Novos dados sugerem que mulheres que interromperam o uso de medicamentos agonistas do receptor do peptídeo 1 semelhante ao glucagon (GLP-1), como Ozempic e Wegovy, antes da concepção apresentaram risco aumentado de parto prematuro, diabetes gestacional e distúrbios hipertensivos da gravidez, além de maior ganho de peso gestacional
O uso de medicamentos à base de agonistas do receptor do peptídeo 1 semelhante ao glucagon (GLP-1), como Ozempic e Wegovy, é desaconselhado durante a gravidez. No entanto, uma nova pesquisa aponta que interromper o tratamento antes da concepção também pode apresentar riscos, um sinal que exige investigação aprofundada.
Os Dados da Pesquisa
O estudo, publicado no periódico JAMA, analisou gestações de 2016 a 2025 no sistema de saúde Mass General Brigham. A análise se concentrou em cerca de 450 gestações em que as mães usaram GLP-1 entre três anos antes e 90 dias após a concepção. O IMC médio dessas mães antes da gravidez era classificado como obeso (cerca de 36).
Os pesquisadores compararam mães que usaram e interromperam o GLP-1 com um grupo de comparação que nunca havia usado os medicamentos, mas tinha IMC pré-gravidez semelhante.
📈 Resultados Encontrados:
As mulheres que interromperam o uso do GLP-1 apresentaram:
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Maior Risco de Complicações: Risco aumentado de parto prematuro, diabetes gestacional e distúrbios hipertensivos da gravidez (como hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia).
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Ganho de Peso Excessivo: Ganho médio de peso durante a gravidez de cerca de 30 libras (13,7 kg), em comparação com 23 libras (10,5 kg) do grupo de comparação. Cerca de 65% do grupo tratado com GLP-1 teve ganho de peso gestacional considerado “excessivo”, contra 49% do grupo de comparação.
A Dra. Jacqueline Mayen, primeira autora do estudo, alerta que esses resultados são um “aviso” para os médicos monitorarem de perto essas pacientes.
Recomendações e Lacunas de Conhecimento
A recomendação atual é interromper a medicação GLP-1 antes da concepção, baseada em estudos com animais que sugerem um risco aumentado de defeitos congênitos, perda de gravidez e restrição do crescimento fetal.
Contudo, a interrupção do GLP-1 na população geral está ligada à recuperação do ganho de peso e à piora de métricas como pressão arterial e açúcar no sangue, efeitos pouco estudados no contexto da gravidez.
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Limitações do Estudo: Uma limitação importante do estudo é que ele comparou pessoas que usaram GLP-1 com pessoas de IMC semelhante próximo ao início da gravidez, e não com seus pesos pré-tratamento (antes de começarem a tomar o GLP-1).
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Perguntas a Responder: Os pesquisadores ainda não sabem se há um benefício em engravidar com um peso menor (após a perda de peso induzida pelo GLP-1) e, em seguida, parar a medicação, mesmo que haja o ganho de peso na gestação.
A Dra. Mayen e outros pesquisadores defendem a necessidade de mais estudos para gerar as evidências necessárias para orientar os cuidados obstétricos e as decisões de tratamento, especialmente para essa população que não foi incluída nos ensaios clínicos iniciais.
Com informações: Live Science