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Meio Ambiente

Francisco, o Papa defensor do meio ambiente e do equilíbrio climático

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Ao longo de seu pontificado, Papa Francisco se manifestou de forma contundente pela proteção ambiental, incluindo a publicação de duas Encíclicas sobre o tema

Dentre os muitos legados deixados pelo Papa Francisco, falecido na madrugada desta segunda-feira (21), no Vaticano, está a defesa do meio ambiente e do equilíbrio climático global. Ao longo de seu papado, o pontífice se manifestou em diferentes ocasiões sobre os assuntos, e deixou documentos importantes em relação à temática, incluindo duas encíclicas.

Confira abaixo alguns desses momentos:

  • Laudato si – Junho de 2015, alguns meses antes da Conferência de Paris, Francisco lançou a encíclica “Laudato Si”, com o título “Sobre o cuidado da Casa Comum”. Neste documento contundente, o papa apelou aos 1,2 bilhão de católicos espalhados pelo mundo para que se juntassem à luta contra as mudanças climáticas. No documento, a primeira Encíclica Papal a tratar do tema, Francisco declarou que a ciência das mudanças climáticas é clara que a que a Igreja Católica considera uma questão moral que deve ser abordada para proteger a Terra e todos os que vivem nela.
  • Mensagem a líderes globais- Novembro de 2015 – Em visita ao escritório das Naçõe Unidas em Nairobi, Kenya, Papa Francisco exortou os líderes mundiais que se reuniriam em alguns dias na 21ª Conferência do Clima, para que selassem um acordo forte sobre o clima. Na ocasião, ele também deu ênfase na necessidade de se adotar sistemas de energia de baixo carbono e acabar com a “cultura do descarte”, que contribui para as emissões de gases de efeito estufa.
  • Discurso a podutores de petróleo – Junho de 2018 – Papa Francisco se reúne em audiência com participantes do Encontro de Líderes das Principais Empresas de Petróleo e Gás Natural e outras Atividades Relacionadas a Energia. Em sua mensagem, Francisco diz: “A civilização requer energia, mas o uso da energia não deve destruir a civilização”.

Para Francisco durante Sínodo da Amazônia, em 2019. Foto: Vatican News.

  • Estabelecimento do Tempo da Criação – 2019 – Naquele ano, a Igreja Católica, por orientação de Papa Francisco, começou a celebrar o “Tempo da Criação” um momento do ano em que a Igreja renova o relacionamento com Deus e se volta ao “cuidado de toda criação”. Em 2015, Papa Francisco já havia estabelecido o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação na Igreja Católica.
  • Sínodo para a Amazônia – Outubro 2019 – Nesta Assembleia dos bispos da Igreja Católica, Papa Francisco fala da “ecologia integral” e de caminhos para pensar transições que permitam a humanidade repensar sua relação com a Mãe Terra. A construção do Sínodo contou com forte participação indígena. Em 2018, Papa Francisco já havia se encontrado com indígenas da América Latina no Peru.
  • Lançamento de filme “A Carta” – outubro  2022 – Lançamento do documentário em que Papa Francisco protagoniza um diálogo direto com cinco pessoas afetadas pela crise climática, incluindo um indígena da Amazônia. O mesmo dia do lançamento do filme, 4 de outubro de 2022, marcou a entrada oficial da Santa Sé no Acordo de Paris.
  • Participação no TED – Outubro de 2020 – Papa Francisco participa de uma iniciativa TED Talk, com vídeo em que fala do “imperativo moral em agir em relação às mudanças climáticas”.
  • Encontro com cientistas – outubro 2021 – Às vésperas da 26ª Conferência do Clima, que seria realizada em Glasgow, Papa Francisco se reúne com cientistas de todo mundo para entender o que a Ciência prevê sobre o clima e o impacto nos povos indígenas e nos mais vulneráveis. “Herdamos um jardim: não devemos deixar um deserto aos nossos filhos”, disse.
  • Laudato Deum – outubro de 2023 – Papa Francisco publica a segunda Encíclica que fala do tema ambiental e das mudanças climáticas. Com o tema “A Todas as Pessoas de Boa Vontade Sobre a Crise Climática”, a Encíclica Laudato Deum “atualiza” a Laudato Si, de 2015, oferece uma reflexão mais aprofundada sobre as causas e consequências da crise ambiental, relaciona a crise do clima com aumento da pobreza e desigualdades, pede urgência e nos chama à ação.

Nascido Jorge Mario Bergoglio, em Buenos Aires, no dia 17 de dezembro de 1936, Papa Francisco manteve-se no pontificado por 12 anos. Faleceu às 2h35 (horário de Brasília) desta segunda-feira (21 de abril), em sua residência no Vaticano, aos 88 anos de idade.


Fonte: ECO

Meio Ambiente

Reflorestar a Amazônia: a nova fronteira econômica e climática do Brasil

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Um estudo do projeto Amazônia 2030 revela que o bioma possui 35 milhões de hectares de áreas degradadas aptos para o reflorestamento, representando uma oportunidade bilionária para a bioeconomia e a remoção de carbono

A crise climática global evidenciou uma realidade há muito negligenciada: a floresta é a tecnologia de remoção de carbono mais barata e eficiente do mundo. Enquanto bilhões de dólares são investidos em soluções artificiais, a Amazônia executa esse serviço naturalmente e em escala massiva. Diante deste cenário, um novo estudo do projeto Amazônia 2030 propõe uma estratégia inovadora e pragmática: transformar o passivo ambiental de 85 milhões de hectares desmatados em um ativo econômico produtivo através do reflorestamento.

O relatório intitulado “Para Proteger a Floresta Amazônica, Precisamos Reflorestar Áreas Degradadas” argumenta que o combate ao desmatamento, embora essencial, não é suficiente se não for acompanhado de uma alternativa econômica sólida. Atualmente, a região abriga vastas extensões de terras abandonadas ou subutilizadas, muitas vezes fruto de atividades ilegais ou de baixa produtividade. A proposta central é converter essas áreas em sistemas produtivos baseados na floresta, como agroflorestas e silvicultura moderna.

Oportunidade econômica sem conflito com o agronegócio

O levantamento identificou que existem 35 milhões de hectares na Amazônia com alto potencial para o reflorestamento que não competem com a produção atual de soja ou gado. Trata-se de terras degradadas que, se recuperadas, poderiam inserir o Brasil em um mercado global de produtos compatíveis com a floresta que hoje supera os 233 bilhões de dólares por ano. Atualmente, a Amazônia captura apenas 3% desse montante, evidenciando uma lacuna de desenvolvimento.

A meta é expandir a atividade econômica dentro do que já foi destruído. Ao criar “empregos verdes” e cadeias de valor estruturadas, a conservação deixa de ser uma imposição externa para se tornar uma escolha econômica viável para a população local, reduzindo a dependência de atividades predatórias como a extração mineral ilegal e a grilagem de terras.

Insegurança jurídica e gargalos de investimento

Apesar do cenário promissor, o estudo aponta desafios críticos que impedem o ganho de escala:

  • Insegurança Fundiária: A falta de regularização de propriedades antigas e a proteção ineficiente de florestas públicas geram incerteza jurídica para investidores e produtores.

  • Escassez de Financiamento: O capital global existe, mas faltam instrumentos financeiros adaptados aos ciclos longos da produção florestal, como fundos de garantia e contratos futuros.

  • Capacitação Técnica: A transição para uma economia florestal moderna exige máquinas adaptadas, assistência técnica especializada e treinamento de operadores locais.

Integração entre meio ambiente, economia e segurança

Os pesquisadores enfatizam que o reflorestamento deve ser encarado como uma infraestrutura essencial para o futuro do Brasil. O estudo recomenda:

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  1. Priorização de Territórios Críticos: Focar as ações em áreas onde a degradação ambiental e a violência se sobrepõem.

  2. Fortalecimento de Órgãos de Controle: Dotar agências ambientais de tecnologia e financiamento estável para garantir a presença do Estado.

  3. Desenvolvimento de Biofármacos e Bioeconomia: Incentivar o uso produtivo de espécies nativas que garantam soberania alimentar e geração de renda a longo prazo.

  4. Uso do Mercado de Carbono: Implementar mecanismos de REDD+ Jurisdicional para recompensar regiões que evitam emissões e restauram a cobertura vegetal.

Reflorestar o que foi perdido não é apenas uma tentativa de retornar ao passado, mas uma forma de organizar o futuro climático e social do planeta. A Amazônia será decisiva para o equilíbrio hidrológico e térmico global, e o reflorestamento de suas áreas degradadas é a reconstrução das condições necessárias para que a floresta em pé permaneça de pé.


Com informações: ECO, Projeto Amazônia 2030

 

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Meio Ambiente

Drones e IA: A nova arma da Irlanda contra a poluição plástica nas praias

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Pesquisadores da Universidade de Limerick desenvolvem aplicativo que mapeia lixo em tempo real para orientar grupos de limpeza voluntária

A luta contra a poluição marinha ganhou um aliado tecnológico de peso na Irlanda. O professor Gerard Dooly, do Centro de Robótica e Sistemas Inteligentes da Universidade de Limerick, desenvolveu um sistema que utiliza drones equipados com Inteligência Artificial para localizar e mapear resíduos plásticos em áreas costeiras de difícil acesso.

O projeto, financiado pela União Europeia através da iniciativa BluePoint, visa otimizar o trabalho de grupos voluntários que, embora dispostos a limpar as praias, muitas vezes perdem eficiência por não saberem exatamente onde os detritos se concentram. Agora, com o auxílio de coordenadas GPS precisas enviadas diretamente para um aplicativo móvel, a remoção do lixo torna-se muito mais rápida e direcionada.

Como funciona a tecnologia

O sistema opera em três etapas principais que integram visão computacional e mobilidade:

  1. Vigilância Aérea: Drones sobrevoam a costa (podendo ser pilotados por pesquisadores ou por cidadãos comuns que queiram colaborar).

  2. Reconhecimento por IA: Um algoritmo treinado analisa as imagens para distinguir plástico de elementos naturais, como algas, rochas e conchas. A tecnologia é tão precisa que consegue detectar objetos de apenas 1 cm de altura a 30 metros de altitude.

  3. Mapeamento Interativo: As áreas poluídas são marcadas em um mapa dentro de um aplicativo gratuito (disponível para iOS e Android), funcionando como um “caça ao tesouro” ecológico para os voluntários.

[00:15] No vídeo demonstrativo, é possível ver o drone sobrevoando a praia de Banna Strand, identificando automaticamente garrafas, tampas e redes de pesca entre os seixos da areia.

A plataforma de detecção de plástico aceita imagens de drones de qualquer fonte, como pessoas comuns pilotando seus próprios drones. O processamento requer apenas software de laptop padrão. Os usuários carregam imagens e recebem coordenadas GPS mostrando locais plásticos detectados. O aplicativo móvel, disponível gratuitamente para iOS e Android, exibe esses locais como um mapa interativo.

— Gerard Dooly, professor e pesquisador de engenharia na Universidade de Limerick

Desafios de Desenvolvimento

Treinar a “visão” do drone não foi uma tarefa simples. O software passou por meses de refinamento para superar obstáculos visuais:

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  • Sombras e Luz: Versões iniciais confundiam áreas sombreadas com acúmulo de detritos.

  • Mimetismo Natural: O algoritmo precisou aprender a não confundir madeira flutuante (driftwood) com garrafas plásticas foscas.

  • Testes Extremos: Foram realizados centenas de voos em diferentes condições climáticas da costa irlandesa para garantir que o sistema funcionasse mesmo sob luz baixa ou vento.

Participação Cidadã e Expansão

O projeto BluePoint já distribuiu mais de 30 drones parceiros pela Europa. A plataforma é aberta: qualquer pessoa com um drone e um laptop padrão pode carregar imagens para o sistema, que processa os dados e gera as coordenadas de limpeza.

“Queremos mobilizar a comunidade. O aplicativo fornece o mapa, os voluntários fornecem a ação.” — Gerard Dooly, Universidade de Limerick.

Local de Teste Principal Tramore, Condado de Waterford (Irlanda)
Financiamento União Europeia (Projeto BluePoint)
Precisão de Detecção Objetos a partir de 1 cm
Disponibilidade App gratuito para iOS e Android


Com informações: The Conversation, Olhar Digital e Universidade de Limerick

Vídeo de Referência: Beach Survey – Bluepoint

 

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Meio Ambiente

Ibama nega licença e arquiva projeto da maior termelétrica a gás do Brasil

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Órgão ambiental barrou a construção da UTE São Paulo, em Caçapava, após detectar falhas graves no estudo de impacto ambiental e falta de comprovação de viabilidade

O Ibama anunciou nesta sexta-feira (23) o arquivamento do processo de licenciamento da Usina Termelétrica (UTE) São Paulo, que seria instalada em Caçapava, no Vale do Paraíba. O projeto, orçado em R$ 5 bilhões pela empresa Natural Energia, estava planejado para ser a maior planta de geração de energia a gás fóssil da América Latina, mas foi rejeitado por não apresentar garantias de preservação ambiental e saúde pública.

A usina teria capacidade de 1,74 GW, queimando cerca de 6 milhões de metros cúbicos de gás natural por ano. No entanto, o Ibama verificou falhas críticas no Estudo de Impacto Ambiental (EIA), confirmando as preocupações de especialistas e da sociedade civil sobre o impacto atmosférico e hídrico em uma região que já sofre com a saturação de poluentes.

Os Motivos do Impedimento

A decisão do Ibama reflete anos de pressão do Ministério Público Federal (MPF) e de movimentos sociais locais. Os principais pontos que levaram ao arquivamento foram:

  • Inviabilidade Ambiental: A empresa não conseguiu provar que o empreendimento não degradaria irreversivelmente o ecossistema local.

  • Consumo de Água: Termelétricas desse porte exigem volumes massivos de água para resfriamento, o que ameaçaria o abastecimento público das cidades de Caçapava e Taubaté.

  • Impacto Atmosférico: O Vale do Paraíba possui uma geografia que favorece a concentração de poluentes (inversão térmica), e a queima de combustíveis fósseis agravaria os índices de doenças respiratórias.

  • Danos Climáticos: O projeto ia na contramão das metas de descarbonização do país, ao priorizar o gás fóssil em vez de fontes renováveis.

Histórico de Resistência no Vale do Paraíba

O processo, que tramitava desde 2022, foi marcado por batalhas judiciais e protestos populares:

Ano Evento
2022 Início do processo de licenciamento no Ibama.
2024 Justiça suspende audiência pública após ação do MPF; fortes protestos em Caçapava.
2026 Ibama nega licença prévia e determina o arquivamento definitivo do processo.


Com informações: ECO e MPF

 

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