O ex-governador Anthony Garotinho afirmou que o governador do Rio, Cláudio Castro, e o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, receberam ouro de uma empresa com contratos no governo e o repassaram ao joalheiro e ex-deputado condenado TH Joias, preso por ligação com o CV. O ouro teria sido usado em joias vendidas a traficantes. A Polícia Federal investiga a lavagem de dinheiro de facções com envolvimento do aparato estatal do RJ
O ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, em entrevista ao jornalista Luís Nassif, fez graves acusações contra o atual governador Cláudio Castro e o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar.
Garotinho afirmou que ambos teriam recebido propina em ouro de uma empresa com vários contratos no governo estadual. Segundo a denúncia, sem conseguir dar destino ao ouro, a dupla o teria repassado ao joalheiro e ex-deputado TH Joias.
🔗 Ouro, Joias e Comando Vermelho (CV)
TH Joias, que está preso, teria fundido o ouro da propina em peças que vende a traficantes e celebridades. O joalheiro, que assumiu o mandato de deputado estadual por meio de uma manobra política apesar de uma condenação por tráfico de drogas, é acusado de fazer parte de uma quadrilha que colaborava com o Comando Vermelho em atividades como:
- Repasse de informações.
- Venda de fuzis.
- Lavagem de dinheiro, que é o foco da denúncia de Garotinho.
👥 Envolvimento no Gabinete da Alerj e na Operação Zargun
TH Joias teria colocado comparsas em seu gabinete na Alerj para facilitar a vida de Gabriel Dias de Oliveira, o “Índio do Lixão”, tesoureiro do Comando Vermelho nas comunidades da Maré e da Penha.
A prisão de TH Joias se deu no âmbito da Operação Zargun, que também mirou em seu assessor Luiz Eduardo Cunha Gonçalves (Dudu), no delegado federal Gustavo Steel e no advogado Alessandro Pitombeira Carracena.
- Alessandro Carracena: Exerceu cargos no governo Castro (Secretário de Esporte e Lazer e Subsecretário de Defesa do Consumidor). Ele e seu superior hierárquico, Gutemberg Fonseca (indicação do senador Flávio Bolsonaro), teriam se reunido com o traficante Índio do Lixão, que buscava “apoio político” para se lançar candidato a vereador.
- Dudu (Assessor de TH Joias): Foi o intermediário mais ativo nas ações para o CV, facilitando questões cotidianas, como afastar uma base da polícia do bairro de Gardênia Azul, em troca de R$ 90 mil.
🕵️ Investigação Federal
O ex-deputado TH Joias, que perdeu o mandato após a exoneração e o retorno de Rafael Picciani à Alerj, estaria buscando uma delação premiada.
Em resposta às revelações e evidências, o ministro Alexandre de Moraes determinou que a Polícia Federal abra um inquérito específico para investigar a lavagem de dinheiro de facções e milícias e o envolvimento delas com o aparato estatal do Rio de Janeiro.
Com informações: Revista Fórum