
O empresariado brasileiro encerrou o último trimestre de 2025 com o maior nível de confiança já registrado pela série histórica do International Business Report (IBR), da consultoria Grant Thornton. De acordo com o levantamento, 86% das empresas no Brasil projetam um aumento no faturamento para os próximos 12 meses. O índice é significativamente superior aos 75% registrados no trimestre anterior, consolidando uma trajetória de alta na confiança doméstica, mesmo diante de um cenário global de incertezas.
Este otimismo é sustentado pelo fortalecimento do consumo interno e pelo bom desempenho das exportações. Enquanto economias desenvolvidas enfrentam ajustes monetários e desaceleração, o Brasil demonstra resiliência, com a expectativa de criação de novos empregos subindo para 79% e o investimento em equipamentos atingindo 70% das intenções das empresas.
O dado mais expressivo da pesquisa refere-se aos investimentos em tecnologia, que alcançaram 92%, o maior patamar da série recente. Para o CEO da Grant Thornton Brasil, Daniel Maranhão, a modernização operacional deixou de ser opcional. "A busca por tecnologia e equipamentos tornou-se estratégica na visão de longo prazo das empresas", afirma.
Outro salto relevante foi observado na área de Recursos Humanos. O investimento em capacitação de pessoas subiu de 71% para 83% em apenas três meses. O movimento é uma resposta direta à escassez de mão de obra qualificada: as organizações estão optando por treinar e reter talentos internamente para garantir produtividade e inovação em um mercado cada vez mais competitivo.
Apesar dos indicadores econômicos em alta, houve um recuo pontual nos investimentos em ESG (Ambiental, Social e Governança), que caíram para 72%. No entanto, analistas veem este movimento como uma reavaliação tática às vésperas da implementação de novas normas internacionais de sustentabilidade e do avanço comercial com a Europa.
A assinatura do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia deve funcionar como o grande catalisador para que a sustentabilidade volte ao topo das prioridades em 2026. A regulamentação europeia impõe condicionantes de acesso ao mercado que exigem a redução de impactos ambientais e cadeias produtivas mais transparentes, tornando o selo ESG um diferencial competitivo de sobrevivência para exportadores.
Os dados indicam que 2026 será o ano da "virada" para o crescimento estrutural. Com o empresariado capitalizado e otimista, o desafio agora é converter essa confiança em eficiência operacional. Temas como rastreabilidade na cadeia de valor e planos de adaptação às mudanças climáticas tendem a ganhar peso crescente nas decisões estratégicas, sobretudo entre empresas exportadoras e cadeias integradas ao mercado europeu.
Em suma, o cenário doméstico positivo atua como um escudo contra as turbulências geopolíticas externas, oferecendo um porto seguro para o desenvolvimento econômico nos próximos ciclos.
Palavras-Chave: otimismo empresarial Brasil, pesquisa IBR Grant Thornton, crescimento econômico 2026.