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Lobos “quase” terríveis fazem seis meses e dobram de tamanho

Lobos “quase” terríveis fazem seis meses e dobram de tamanho

Redação
Por: Redação
04/07/2025 às 19h00 Atualizada em 04/07/2025 às 22h00
Lobos “quase” terríveis fazem seis meses e dobram de tamanho
Foto: Reprodução

Empresa de biotecnologia que disse ter "ressuscitado" três lobos-terríveis (depois, voltou atrás) mostra como estão os animais atualmente

No início de abril, uma empresa norte-americana de biotecnologia e engenharia genética chamada Colossal Biosciences anunciou que havia conseguido trazer de volta à vida o lobo-terrível (Aenocyon dirus), espécie extinta há 10 mil anos. A revelação foi recebida com ceticismo pela comunidade científica, e, algumas semanas depois, a cientista-chefe da Colossal, Beth Shapiro, admitiu que os animais gerados são, na verdade, lobos-cinzentos (Canis lupus) com modificações genéticas. Agora, dois dos três polêmicos “bebês” acabam de completar seis meses – e dobrar de tamanho.
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Neste vídeo divulgado em abril, Beth Shapiro, cientista-chefe da Colossal Biosciences, explica como o procedimento de “desextinção” é feito.
Vamos relembrar essa história:
  • O lobo-terrível ou lobo pré-histórico é uma espécie extinta de canídeo nativa das Américas que viveu entre 125 mil e 10 mil anos atrás;
  • Em abril de 2025, a Colossal Biosciences afirmou ter “restaurado” o animal por meio da “ciência da desextinção”;
  • Em um comunicado, o feito foi descrito como o “retorno do lobo-terrível ao ecossistema” milênios após seu desaparecimento;
  • Diante da polêmica gerada em torno do assunto, o discurso da empresa mudou;
  • A alegação foi que o uso do termo “lobo-terrível” foi “coloquial”.
Dissemos isso desde o início. Chamaram os animais de ‘lobos-terríveis’ de forma coloquial, e isso irritou as pessoas. Mantemos nossa decisão de nos referirmos a Romulus, Remus e Khaleesi, de forma coloquial, como lobos-terríveis. Beth Shapiro, cientista-chefe da Colossal Biosciences
Veja como estão os ‘lobos-terríveis’ feitos em laboratório atualmente
A Colossal divulgou um novo vídeo mostrando o crescimento dos irmãos Romulus e Remus. Eles já pesam cerca de 40,8 kg – 20% a mais que um lobo-cinzento comum. De acordo com Matt James, Diretor de Animais da empresa, os genes do lobo-terrível estão influenciando as características físicas dos filhotes, que ficaram maiores e mais robustos que o habitual. Para ele, isso comprova o sucesso das modificações genéticas. “Podemos realmente dizer que os genes do lobo pré-histórico estão se manifestando, e estamos obtendo esses lobos grandes e bonitos que são muito mais representativos do que vimos nos espécimes antigos”.
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Atualização divulgada pela Colossal Biosciences este mês mostra como estão os lobo “nem tão” terríveis hoje.
A fêmea Khaleesi, que nasceu três meses depois, é menor e pesa 15,9 kg. No entanto, segundo James, também apresenta porte maior do que o esperado para lobos-cinzentos da mesma idade. A expectativa é que ela se junte à matilha no futuro, passando a conviver com Romulus e Remus. Quando foram apresentados ao público, muitos especialistas criticaram a forma como a Colossal divulgou o projeto. A empresa disse ter “ressuscitado” o lobo-terrível, mas, na prática, os filhotes são lobos-cinzentos com 20 modificações em 14 genes, o que faz com que se pareçam mais com o animal extinto.
Os “lobos-terríveis” de laboratório Romulus e Remus aos seis meses de idade. Crédito: Colossal Biosciences
Segundo o professor Nic Rawlence, especialista em paleogenética da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, não é possível desextinguir de fato uma espécie já inexistente na natureza. “Para realmente desextinguir algo, seria preciso cloná-lo. O problema é que não podemos clonar animais extintos porque o DNA não está bem preservado”, explicou o cientista em entrevista ao Centro de Mídia Científica da Nova Zelândia. O DNA de animais antigos se degrada com o tempo, tornando impossível cloná-los com precisão. Por isso, o que a Colossal fez foi apenas criar um animal semelhante, mas não idêntico ao original.
Khaleesi, a mais nova dos três “lobos-terríveis” criados pela Colossal, recebeu esse nome em homenagem à personagem Daenerys Targaryen da série Game of Thrones, na qual lobos-terríveis são mascotes da Casa Stark. Crédito: Colossal Biosciences
Tecnologia utilizada tem impacto positivo, apesar das críticas
Apesar das críticas, a tecnologia usada nesses filhotes pode ter um impacto positivo em outras áreas. A empresa aplica os mesmos métodos em projetos de preservação de espécies ameaçadas. Um exemplo é o lobo-vermelho (Canis rufus), nativo do sudeste dos EUA, que corre sério risco de desaparecer – restam apenas cerca de 20 exemplares na natureza. A Colossal conseguiu clonar quatro filhotes de lobo-vermelho a partir de linhagens fundadoras, usando uma técnica não invasiva. Diferentemente dos “lobos-terríveis”, esses filhotes são 100% geneticamente lobo-vermelho. Isso aumentou a diversidade genética da espécie em 25%, ajudando na sua recuperação e fortalecendo o grupo remanescente. Outro projeto ambicioso da empresa acontece na África. Apenas duas fêmeas do rinoceronte-branco-do-norte ainda existem, ambas no Quênia. A Colossal pretende usar uma fêmea de rinoceronte-branco-do-sul como barriga de aluguel para embriões criados a partir de células preservadas do último macho da espécie. É uma tentativa complexa, mas que pode salvar o Ceratotherium simum da extinção total.
Só restam dois rinocerontes-brancos-do-norte (Ceratotherium simum) no mundo, ambos fêmeas: Najin (na imagem) e Fatu, mãe e filha, que residem no Quênia, sob intensa proteção 24 horas por dia. Crédito: Kelsey Neukum – Shutterstock
Ainda assim, há muitas questões éticas sobre esse tipo de tecnologia. A principal é até que ponto se pode ou se deve “brincar de Deus” ao recriar animais extintos. Há também debates sobre o uso de termos exagerados, como “desextinção”, que podem confundir o público. No caso dos “lobos-terríveis”, a verdade é que eles não são os mesmos que viveram há milênios. Mas representam o máximo que a ciência conseguiu até agora em termos de aproximação genética. E, mais importante: podem ajudar a salvar espécies reais, que ainda têm chance de continuar vivas no planeta.
Fonte: Olhar Digital
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