Cepa de Salmonella Typhi avança globalmente e ameaça causar surtos futuros, segundo estudo
Cientistas alertam que uma nova cepa da bactéria
Salmonella Typhi , causadora da
febre tifoide , está se tornando
mais resistente aos antibióticos e pode desencadear
surto em escala global nos próximos anos. A doença, transmitida principalmente por
água ou alimentos contaminados , é considerada um problema de saúde pública em países com condições sanitárias precárias. Atualmente, cerca de
70% dos casos ocorrem no Sul da Ásia , mas a bactéria tem se espalhado para outras regiões do mundo.
Resistência cresce nas últimas três décadas
O tratamento da febre tifoide depende exclusivamente de antibióticos. Nos últimos 30 anos, porém, a eficácia desses medicamentos tem diminuído. Hoje, apenas a
azitromicina ainda demonstra eficácia significativa — e pesquisadores temem que isso não dure muito tempo. Um estudo recente envolvendo o sequenciamento genético de
3.489 cepas da Salmonella Typhi revelou um aumento significativo na presença de
cepas multirresistentes . A análise incluiu amostras coletadas entre
2014 e 2019 no Nepal, Bangladesh, Paquistão e Índia. Segundo os especialistas, essa cepa resistente
se espalha rapidamente . Embora a maioria dos casos ainda seja registrada no Sul da Ásia, pelo menos
200 infecções foram identificadas em outros continentes , incluindo Reino Unido, Estados Unidos e Canadá.
“A velocidade com que cepas altamente resistentes de Salmonella Typhi surgiram e se espalharam nos últimos anos é um motivo real de preocupação”, afirmou Jason Andrews , especialista em doenças infecciosas da Universidade de Stanford.
Dados globais da doença
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS):
- Cerca de 20 milhões de casos de febre tifoide são registrados anualmente no mundo.
- O número de mortes chega a 161 mil por ano , especialmente entre crianças, idosos e pessoas desnutridas .
Vacinação como principal medida preventiva
A melhor forma de evitar novos surtos da doença é por meio da
vacinação em massa , indicam os especialistas. Uma vacina conjugada segura e eficaz já existe e é recomendada pela OMS. Países como o
Paquistão já começaram a aplicar a imunização em larga escala, especialmente em áreas de maior risco. No entanto, pesquisadores alertam que mesmo essas medidas podem não ser suficientes caso a resistência aos antibióticos continue crescendo.
Com informações: ScienceAlert