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Desigualdade social acelera envelhecimento cerebral, indica estudo internacional

Desigualdade social acelera envelhecimento cerebral, indica estudo internacional

Redação
Por: Redação
20/07/2025 às 15h30 Atualizada em 20/07/2025 às 18h30
Desigualdade social acelera envelhecimento cerebral, indica estudo internacional
Foto: Reprodução

Pesquisa publicada na Nature Medicine revela impacto de fatores socioeconômicos e ambientais no envelhecimento e no declínio cognitivo

Um estudo internacional publicado na revista científica Nature Medicine aponta que fatores socioeconômicos e ambientais como desigualdade social, instabilidade política, poluição do ar e fragilidade democrática estão associados a um envelhecimento cerebral acelerado , com maiores riscos de declínio cognitivo e funcional . A pesquisa envolveu dados de 161.981 participantes em 40 países , incluindo o Brasil, e foi conduzida por uma equipe de 41 cientistas , com apoio de pesquisadores brasileiros do Instituto Serrapilheira e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) .

Envelhecimento cerebral e a medida BBAG
A pesquisa utilizou modelos de inteligência artificial e análise epidemiológica para avaliar os chamados "biomarcadores de idade biocomportamental" (BBAGs) . Esses indicadores medem a diferença entre a idade cronológica de uma pessoa e a idade biológica e cognitiva esperada com base em fatores como:
  • Saúde geral
  • Cognição
  • Educação
  • Funcionalidade
  • Riscos como doenças cardiometabólicas e deficiências sensoriais
Segundo os pesquisadores, o estudo desafia a visão tradicional de que o envelhecimento é determinado apenas por fatores individuais, como genética e hábitos pessoais. A localização geográfica, o contexto político e as condições sociais têm um impacto marcante no processo de envelhecimento.
Brasil no contexto global
O Brasil apresentou um perfil intermediário de aceleração do envelhecimento, entre os países europeus e asiáticos — que mostraram envelhecimento mais lento — e os africanos, com envelhecimento mais acelerado. No entanto, os pesquisadores alertam que, em um país com altos índices de desigualdade social , os resultados são extremamente relevantes para políticas públicas voltadas à saúde da população idosa.
“Os resultados mostram, de maneira marcante, que o local onde vivemos pode nos envelhecer de forma acelerada, aumentando o risco de declínio cognitivo e funcional. Em um país desigual como o Brasil, esses achados são extremamente relevantes para políticas públicas”, afirma Eduardo Zimmer , professor da UFRGS e um dos autores do estudo.
Fatores associados ao envelhecimento acelerado
A pesquisa identificou uma série de fatores ligados ao envelhecimento cerebral mais rápido , entre eles:
  • Baixa renda
  • Má qualidade do ar
  • Desigualdade de gênero
  • Condições migratórias
  • Falta de representação política
  • Democracias frágeis
  • Corrupção
  • Polarização política
  • Desconfiança institucional
  • Direitos de voto restritos
  • Liberdade partidária limitada
Países com altos índices de corrupção, governança instável e baixa transparência mostraram maiores taxas de envelhecimento cerebral. Além disso, a confiança no governo foi associada a melhores condições de saúde , enquanto a desconfiança institucional e a polarização política estão ligadas ao aumento da mortalidade e à fragililidade das respostas em saúde pública .
Impacto do estresse crônico
Os cientistas sugerem que pessoas que vivem em ambientes de instabilidade política e social prolongada podem desenvolver estresse crônico , o que pode impactar negativamente no sistema cardiovascular e cognitivo , acelerando o processo de envelhecimento.
“O local de nascimento e de moradia influenciam de maneira desigual o cérebro de todos. Viver na Europa, na África ou na América Latina tem níveis diferentes de impacto no envelhecimento por causa da disparidade na disponibilidade de recursos e acesso à saúde”, afirma Wyllians Borelli , outro autor do estudo e pesquisador da UFRGS.
Chamada às políticas públicas
Os pesquisadores destacam a necessidade de priorizar a redução das desigualdades sociais e o desenvolvimento regional para promover um envelhecimento populacional mais saudável .

“Antes de focar em riscos individuais, as autoridades de saúde devem priorizar a diminuição das desigualdades sociais e o desenvolvimento regional para promover um envelhecimento populacional mais saudável”, ressalta Lucas da Ros , também da UFRGS e coautor do estudo.

Contexto global e implicações para o Brasil
Países da Europa (França, Alemanha, Suíça) e da Ásia (China, Coreia do Sul, Israel, Índia) apresentaram os menores índices de envelhecimento cerebral. Já Egito, África do Sul e outros países da América Latina tiveram envelhecimento mais acelerado, o que reflete as condições socioeconômicas e ambientais dessas regiões. No Brasil, o estudo reforça a importância de políticas que garantam melhor distribuição de renda, acesso universal à saúde, redução da poluição e fortalecimento das instituições democráticas como medidas fundamentais para combater o envelhecimento precoce e melhorar a qualidade de vida da população mais velha . Com informações: Agência Brasil
Fonte: Agência Brasil
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