Pesquisa aponta que 29% dos brasileiros com doenças da retina já abandonaram tratamento; julho é mês da saúde ocular
Julho é o mês da saúde ocular e, entre os desafios que afetam a visão da população brasileira, dois problemas pouco conhecidos merecem destaque: a
Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) e o
Edema Macular Diabético (EMD). Diferente do que muitos imaginam, a
cegueira não é causada apenas por catarata – essas duas doenças também podem levar à
perda da visão central.
O que são DMRI e EMD
A
DMRI é uma doença ocular
crônica e progressiva que afeta a
mácula, parte central da retina responsável por detalhes finos da visão, como ler e reconhecer rostos. Com o avanço da idade, essa região pode sofrer danos que levam à
perda da visão central, enquanto a visão periférica costuma ser preservada. A
forma úmida, mais grave, exige acompanhamento constante. O
EMD é uma complicação da
retinopatia diabética, causada pela
lesão dos vasos sanguíneos da retina devido ao excesso de açúcar no sangue, levando a
inchaço na região central e
distorção visual. Pode afetar pessoas com
diabetes tipo 1 ou 2, principalmente com controle glicêmico inadequado.
Pesquisa revela abandono de tratamento
Uma pesquisa realizada pela
FGV/CPDOC, em parceria com a
ONG Retina Brasil e apoio da
Roche Farma Brasil, ouviu
155 pessoas diagnosticadas com DMRI ou EMD em todas as regiões do país. O estudo revelou que
29% dos entrevistados já abandonaram o tratamento pelo menos uma vez. Segundo a
Organização Mundial da Saúde (OMS), apenas
50% das pessoas com doenças crônicas seguem corretamente seus planos de cuidado. A
continuidade dos cuidados é um dos maiores desafios para pacientes com essas doenças.
Importância do tratamento contínuo
A
oftalmologista Patrícia Kakizaki, especialista em Retina Clínica e Cirúrgica pela UNIFESP, destaca: "
Muitas vezes, o paciente entende a importância do tratamento, mas a rotina, o deslocamento e até o medo da aplicação da injeção intraocular prejudicam a continuidade. Essa dificuldade na adesão, no caso das doenças da retina, pode levar a uma perda de visão irreversível".
Reabilitação e acesso a serviços
Apenas
20% dos entrevistados afirmaram ter utilizado algum serviço ou recurso de apoio. Entre os
74 entrevistados que não fizeram reabilitação, foram citados fatores como:
- Ausência de serviços na cidade
- Distâncias até centros de atendimento
- Custos
- Falta de rede de apoio
Rogério Mauad, Gerente Executivo de Estratégia Médica da oftalmologia, afirma: "
O desenvolvimento de novas tecnologias ajudará a diminuir as limitações ocasionadas pelas doenças de retina, possibilitando maior independência por mais tempo". Ambas as condições podem levar à
perda da visão central se não forem diagnosticadas e tratadas a tempo. Hoje existem terapias que
estabilizam o quadro visual e proporcionam mais conforto ao paciente.
Com informações: inpresspni