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Irlanda paga para quem morar em ilhas remotas para combater despovoamento

Irlanda paga para quem morar em ilhas remotas para combater despovoamento

Redação
Por: Redação
31/07/2025 às 09h30 Atualizada em 31/07/2025 às 12h30
Irlanda paga para quem morar em ilhas remotas para combater despovoamento
Foto: Reprodução
Governo irlandês oferece subsídios de até €84.000 através do programa "Our Living Islands" para revitalizar comunidades em 23 ilhas costeiras com risco de abandono.
O governo da Irlanda lançou em junho de 2023 o programa "Our Living Islands" (Nossas Ilhas Vivas), um plano decenal para reverter o despovoamento acelerado em 23 ilhas costeiras do Atlântico. As ilhas, desconectadas do continente pelas marés e sem acesso por pontes ou estradas, abrigam atualmente menos de 3.000 moradores permanentes.

Desafios populacionais

Segundo o governo irlandês, os moradores mais jovens tendem a deixar as comunidades isoladas em busca de oportunidades educacionais e profissionais, resultando em populações envelhecidas e em risco de esvaziamento gradual. O programa atua em múltiplos eixos da vida comunitária, incluindo fortalecimento das economias locais, programas de suporte à agricultura sustentável, turismo, artesanato e construção de infraestrutura digital para trabalho remoto.

Incentivos financeiros

Como parte do programa Croí Cónaithe, o governo oferece subsídios de até €60.000 para proprietários de casas abandonadas ou degradadas que desejem restaurá-las. Para imóveis muito degradados, o valor pode chegar a €84.000. As propriedades elegíveis são aquelas construídas antes de 1998 e desocupadas há pelo menos dois anos. O subsídio cobre reformas estruturais ou estéticas, como troca de telhados, melhorias no isolamento, reparos estruturais e outras obras essenciais.

Condições e restrições

O programa não é restrito a cidadãos irlandeses, permitindo que estrangeiros se candidatem ao subsídio. É necessário, porém, possuir visto de residência fixa no país, que pode ser obtido por meio de emprego formal, investimentos ou residência legal por pelo menos cinco anos. Quem receber o benefício deve estar com impostos em dia e não pode ser empresa ou incorporadora imobiliária, medida para evitar especulação. O subsídio cobre tanto proprietários que pretendem morar nas ilhas quanto aqueles que desejam alugar para moradores de longo prazo. Caso o imóvel seja vendido antes de um período determinado (entre cinco a dez anos após a aplicação do subsídio), o valor pode ser reivindicado de volta pelo governo.

Exemplos de implementação

Em Aranmore, uma das ilhas beneficiadas pelo programa — que tinha cerca de 500 habitantes em 2022 — já há novos moradores vivendo com apoio de hubs de trabalho remoto, segundo o jornal Irish Times. As ilhas participantes preservam tradições centenárias e abrigam comunidades pequenas, às vezes com menos de 100 pessoas, onde se falam tanto o irlandês como o gaélico. Compostas por casas simples em pedra, ruínas monásticas e pequenos portos pesqueiros, enfrentam o desafio do envelhecimento populacional e ameaça de abandono.
Fonte: Revista Fórum
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