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Agro se reúne com governo para tentar mudar Plano Clima sob alegação de “distorções”

Agro se reúne com governo para tentar mudar Plano Clima sob alegação de “distorções”

Redação
Por: Redação
27/08/2025 às 10h00 Atualizada em 27/08/2025 às 13h00
Agro se reúne com governo para tentar mudar Plano Clima sob alegação de “distorções”
Foto: Reprodução

Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) critica o Plano Clima por atribuir ao agronegócio corte de 54% nas emissões, enquanto setores como energia poderiam aumentar. Audiência pública no Senado discute o tema nesta quarta (27)

A Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) intensificou sua mobilização para tentar alterar trechos do Plano Clima, estratégia nacional de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Em reuniões com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), parlamentares do setor ruralista alegam que o plano distorce a responsabilidade do agronegócio nas emissões e impõe metas “desproporcionais” ao setor.

A pressão culmina na próxima quarta-feira (27/08), com uma audiência pública na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado, proposta pelo senador Zequinha Marinho (PODEMOS-PA), para discutir os “impactos, riscos e inconsistências” do plano setorial de agricultura e pecuária. Agricultura sob maior pressão, diz FPA A principal crítica da FPA é que o Plano Clima atribui ao agronegócio a maior parte da responsabilidade pela redução de emissões, com meta de corte de até 54%, enquanto outros setores, como energia, poderiam aumentar suas emissões em até 44% no mesmo período. “O plano bota obrigações que não fazem sentido e acaba punindo justamente quem já produz com responsabilidade”, afirma um vídeo divulgado pela FPA nas redes sociais. Controvérsia sobre desmatamento em áreas públicas Outro ponto polêmico é a inclusão, no cálculo das emissões do agronegócio, de desmatamento em áreas não privadas, como:
  • Assentamentos de reforma agrária;
  • Terras indígenas;
  • Territórios quilombolas.
Para o deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS), presidente da CAPADR e membro da FPA, isso “distorce a realidade e transfere responsabilidades que não cabem ao produtor rural”. Críticas à metodologia e falta de transparência O setor também alega que o plano:
  • Ignora os esforços já feitos pelo agronegócio em conservação e sustentabilidade;
  • Ameaça direitos consolidados, como o uso de áreas excedentes de Reserva Legal e APPs;
  • Foi elaborado sem transparência, com uso de fontes não oficiais e sem acesso ao modelo técnico;
  • Excluiu o Congresso Nacional do debate.
“Não podemos aceitar que imponham metas ao agro sem critérios claros e sem reconhecer o que o produtor já faz”, disse Zequinha Marinho. MAPA pede reclassificação das emissões Em 15 de agosto, o MAPA enviou ao MMA uma nota técnica solicitando que as emissões de mudança de uso da terra (como desmatamento) sejam alocadas no setor de “conservação da natureza”, e não no agronegócio. Já as emissões de combustíveis fósseis deveriam ser atribuídas ao setor de “energia”. O que diz o Ministério do Meio Ambiente Em nota, o MMA esclareceu que o Plano Clima está sendo construído desde setembro de 2023 com 25 ministérios, seguindo metodologias do IPCC (painel científico da ONU sobre clima). A pasta reforça que:
  • A reorganização das emissões é fruto de consenso interministerial;
  • O setor agropecuário inclui todas as emissões e remoções em propriedades rurais, assentamentos e territórios quilombolas;
  • As projeções seguem o Inventário Nacional de Emissões, do MCTI.
“Essa adequação não se aplica apenas ao agro. O plano industrial, por exemplo, também incorpora emissões de combustíveis e resíduos.”
Próximos passos A fase de consulta pública do Plano Clima terminou em 18 de agosto. O governo espera finalizar os planos setoriais até agosto e lançar o documento final em outubro, em Belém, durante a COP30.  

Com informações: ((o))eco e MMA

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