A
Índia está prestes a assumir um papel central no cenário econômico mundial. De acordo com o relatório
Economy Watch da consultoria
EY, o país poderá ultrapassar os
Estados Unidos em
paridade de poder de compra (PPC) até
2038, tornando-se a
segunda maior economia do planeta, atrás apenas da
China. O estudo projeta que o
PIB indiano atinja:
- US$ 20,7 trilhões até 2030;
- US$ 34,2 trilhões em 2046.
Atualmente, o
FMI estima o PIB da Índia em US$ 14,2 trilhões (PPC) em 2025 — mais de três vezes o valor calculado pela taxa de câmbio de mercado. Em termos de PPC, a Índia já é a
3ª maior economia do mundo e pode alcançar a
3ª posição também pelo critério de mercado em 2028, ao ultrapassar a
Alemanha.
Ascensão no ranking global Essa trajetória coloca a Índia como um dos pilares emergentes do
BRICS, grupo que, somado, já supera os EUA em PIB pela paridade de poder de compra. A crescente influência econômica do bloco — que inclui
Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — sinaliza uma
reconfiguração do poder econômico global nas próximas duas décadas.
Impacto do tarifaço de Trump Apesar da projeção otimista, o relatório alerta para riscos externos. A partir de
27 de agosto de 2025, os
Estados Unidos impuseram tarifas de 50% sobre parte das exportações indianas, em linha com o
tarifaço contra o Brasil e outros países do BRICS. Setores mais afetados:
- Têxteis;
- Pedras preciosas e joias;
- Camarão;
- Couro e calçados.
Farmacêuticos e eletrônicos foram
excluídos da medida, mas o impacto geral pode chegar a
0,9% do PIB indiano. Na prática, a perda deve ficar em torno de
0,3%, podendo cair para
0,1% com políticas de estímulo interno, como o fortalecimento do consumo doméstico.
Fundamentos de crescimento Mesmo diante das barreiras comerciais, a Índia mantém vantagens estruturais:
- População jovem e qualificada (média de idade: 28 anos);
- Alta taxa de poupança e investimento;
- Endividamento público sustentável;
- Foco em tecnologia, inovação e digitalização.
Além disso, o país tem diversificado seus mercados. Em 2024-25, os EUA foram destino de
20% das exportações indianas, num comércio bilateral de
US$ 131,8 bilhões (US$ 86,5 bi em exportações indianas). Mesmo com o protecionismo norte-americano, a
demanda interna robusta e a expansão para outros mercados (como Oriente Médio, Ásia e América do Sul) sustentam o crescimento.
Um novo eixo econômico global A ascensão da Índia não é apenas numérica: representa uma
mudança de paradigma. Com investimentos em infraestrutura, energia limpa, tecnologia e manufatura (como no projeto
Make in India), o país se posiciona como
alternativa estratégica ao modelo ocidental.
“A Índia não está apenas crescendo: está se reinventando como potência tecnológica e industrial do século 21”, afirma um analista econômico.
Com informações: EY, FMI e Revista Fórum