Pesquisa encomendada pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal aponta que 71% dos entrevistados temem o impacto na saúde infantil, e especialistas defendem que a primeira infância deve ser prioridade nas políticas climáticas do país
No ano em que o Brasil se prepara para sediar a
COP30, uma pesquisa nacional do
Datafolha aponta que mais de
80% da população brasileira está preocupada ou muito preocupada com os efeitos das mudanças climáticas em bebês e crianças de 0 a 6 anos (a primeira infância). O estudo, intitulado
“Panorama da Primeira Infância: o impacto da crise climática”, encomendado pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, ressalta que as crianças pequenas são um dos grupos mais vulneráveis por razões biológicas e sociais.
Principais Preocupações dos Brasileiros
Entre os entrevistados, as principais preocupações em relação ao impacto da crise climática nas crianças são:
- 71% temem os efeitos na saúde das crianças, citando o aumento de doenças respiratórias ligadas à poluição do ar e às ondas de calor.
- 39% mencionam o risco crescente de desastres ambientais, como secas, enchentes e queimadas.
- 32% destacam a dificuldade de acesso à água limpa e alimentos.
Os dados se alinham a projeções científicas: o Núcleo Ciência pela Infância (
NCPI) estima que crianças nascidas hoje enfrentarão quase
sete vezes mais ondas de calor do que seus avós.
Alerta para as Políticas Públicas
O estudo do Datafolha, que ouviu 2.206 pessoas entre 8 e 10 de abril de 2025 (incluindo 822 responsáveis por crianças pequenas), mostra um alerta importante: apenas
6% dos entrevistados acreditam que a sociedade encontrará soluções efetivas para conter os danos da crise climática. Especialistas defendem que o Brasil precisa urgentemente colocar a
primeira infância no centro das decisões políticas climáticas.
Mariana Luz, CEO da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, afirma que tratar a infância e o clima como agendas separadas é um erro que o país não pode mais cometer: “A proteção à criança precisa entrar na agenda climática. É responsabilidade de todos garantir que bebês e crianças pequenas tenham prioridade absoluta em saúde, educação e proteção, diante da crise que já atinge suas vidas.” Entre as medidas recomendadas pelo NCPI, estão:
- Fortalecimento da atenção primária à saúde;
- Modernização do saneamento básico;
- Criação de zonas climatizadas em escolas e creches;
- Apoio psicológico em situações de desastre;
- Formação de educadores para lidar com a crise.
Com informações: ECO