Em resposta à licença de exploração de petróleo na Foz do Amazonas, organizações ambientais formaram a Coalizão SOS Oceano, lançada durante a Rio Ocean Week. O grupo tem como prioridades a defesa da Foz do Amazonas, a criação do Parque Nacional do Albardão (RS), a ampliação da proteção em Fernando de Noronha e o cumprimento da meta global de proteger 30% dos oceanos até 2030 com fiscalização e proteção integral
Na mesma semana em que o Ibama concedeu licença para a Petrobras iniciar a pesquisa exploratória na Foz do Amazonas, foi lançada a
Coalizão SOS Oceano, uma aliança de organizações ambientais dedicada à proteção dos mares brasileiros. O lançamento ocorreu nesta quinta-feira (24), durante a Rio Ocean Week, no Rio de Janeiro. O grupo estabeleceu a defesa da
Foz do Amazonas como uma de suas pautas prioritárias, argumentando contra a exploração de petróleo na região.
Pautas Prioritárias para Conservação
Além da Foz do Amazonas, a SOS Oceano foca na criação e fortalecimento de Áreas Marinhas Protegidas (AMPs) em regiões de alta biodiversidade:
- Albardão (Rio Grande do Sul): O grupo exige a criação urgente de um Parque Nacional no local, que abrange a Praia do Cassino e é considerado uma das áreas marinhas mais isoladas e biodiversas do país, mas que enfrenta entraves políticos há décadas.
- Fernando de Noronha: A coalizão apoia a ampliação da proteção na região do arquipélago, visando resguardar os Montes Submarinos, considerados estratégicos como berçário e refúgio para a fauna marinha.
- Zonas de Uso Sustentável: A aliança defende a criação dessas áreas nas zonas costeiras, vitais para a sobrevivência de populações tradicionais e para combater impactos como o turismo predatório, a pesca excessiva e a especulação imobiliária.
Meta de Proteção de 30%
Uma das principais bandeiras da SOS Oceano é o cumprimento da meta internacional de
proteger 30% do oceano até 2030 – compromisso assumido pelo Brasil no Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal. Atualmente, segundo o ICMBio, o Brasil possui 26,4% de sua área marinha total em 233 Unidades de Conservação (UCs) costeiras e marinhas. A articuladora da aliança, Angela Kuczach, diretora-executiva da Rede Pró-UC, alerta contra o
"blue washing", ressaltando que a meta deve representar "proteção real" e não apenas criação de áreas no papel.
"É indispensável ampliar a criação de zonas no take – áreas onde não se permite nenhum tipo de exploração de recursos naturais –, pois são essas regiões que realmente asseguram a recuperação dos ecossistemas marinhos”, destaca Kuczach.
A Coalizão SOS Oceano é formada por organizações como Rede Pró-UC, Sea Shepherd Brasil, Blue Marine Foundation, Projeto Golfinho Rotador, Instituto Baleia Jubarte e NEMA. Junto com o lançamento da coalizão, foi apresentada a campanha
"Bandeira sem vida", com a
tagline “sem azul não há verde”, reforçando a interligação entre oceanos e florestas no equilíbrio climático.
Com informações: SOS Oceano / Rede Pró-UC / ECO