O Presidente Lula destacou que 2024 foi o primeiro ano com temperatura média global acima de 1,5°C e pediu que Belém seja a “COP da verdade”. António Guterres, Secretário-Geral da ONU, alertou para o lobby dos combustíveis fósseis e o risco de aquecimento de 2,5°C
Na abertura da Cúpula de Líderes que precede a
COP30 da Conferência do Clima, em Belém (PA), o Presidente
Luiz Inácio Lula da Silva pediu um
“mapa do caminho” para a mobilização de recursos, reversão do desmatamento e superação da dependência mundial dos
combustíveis fósseis. Lula afirmou que Belém honrará os legados das COPs anteriores, destacando que “acelerar a transição energética e proteger a natureza são duas maneiras mais efetivas de conter o aquecimento global”.
? Alerta Climático e Metas
Em seu discurso, Lula ressaltou o agravamento da crise climática:
- Limite de Temperatura: “O ano de 2024 foi o primeiro ano em que a temperatura média da Terra ultrapassou 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.”
- Risco Futuro: Lula alertou que as atuais metas nacionais para corte de emissões podem levar o planeta a aquecer 2,5°C nos próximos anos, o que causaria perdas humanas e materiais, como o encolhimento de até 30% do PIB global.
- COP da Verdade: “A COP30 será a COP da verdade. É o momento de levar a sério os alertas da ciência.”
O
Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, reforçou a urgência de cortar o uso de carvão, petróleo e gás, e criticou o
lobby dos combustíveis fósseis, acusando-o de "sabotar a estabilização do clima por meio de desinformação e subsídios." Guterres classificou o fracasso em manter o aquecimento abaixo de 1,5°C como uma “falha moral” e uma “negligência mortal”.
?️ O Desafio de Belém
O secretário-executivo do Observatório do Clima (OC), Márcio Astrini, e a diretora-executiva do Greenpeace Brasil, Carolina Pasquali, concordam que o sucesso da COP30 dependerá da concretização das palavras de Lula em uma
resolução final formal. Pasquali, em particular, alertou que será preciso
transformar o discurso em ação, apontando contradições como a insistência em explorar petróleo na Foz do Amazonas e o atraso na demarcação de territórios indígenas. O Presidente Lula finalizou seu apelo pedindo que o
combate à mudança do clima esteja no centro das decisões de todos os líderes globais, reforçando o "conceito de mutirão" que deve animar as negociações em Belém. A especialista do WWF-Brasil, Flávia Martinelli, porém, notou que o discurso de Lula não abordou o tema da
adaptação à crise do clima, ação considerada urgente para diminuir os impactos dos eventos extremos.
Com informações: ECO