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Lula associa crise climática à lógica histórica da exploração econômica global

Lula associa crise climática à lógica histórica da exploração econômica global

Redação
Por: Redação
09/11/2025 às 20h00 Atualizada em 09/11/2025 às 23h00
Lula associa crise climática à lógica histórica da exploração econômica global
Foto: Reprodução
Em discurso na Cúpula do Clima em Belém (PA), o Presidente Lula argumentou que a crise climática é resultado da desigualdade e da exploração do Sul Global pelos países mais ricos. Ele propôs a taxação de super-ricos e a troca de dívidas nacionais por ações climáticas como instrumentos para financiar a transição justa e reverter essa "injustiça histórica"

O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou na sessão temática dos 10 anos do Acordo de Paris durante a Cúpula do Clima (COP30) em Belém (PA), na última sexta-feira (7). Em sua fala, Lula estabeleceu uma associação direta entre a crise climática e a longa trajetória de exploração econômica e injustiças sociais praticadas internacionalmente. Lula iniciou seu discurso citando o geógrafo brasileiro Josué de Castro e sua distinção entre crescer e se desenvolver, para argumentar que a crise atual só pode ser superada com distribuição de renda e a responsabilização dos mais ricos e dos grandes poluidores.

? Cobrança por Financiamento e Responsabilidade Histórica

O presidente brasileiro defendeu que o Sul Global deve ter as oportunidades de desenvolvimento que lhe foram negadas e cobrou uma maior contribuição financeira dos países que mais se beneficiaram historicamente das emissões de carbono. Lula criticou a atual lógica de financiamento climático:
  • Financiamento Reverso: O presidente afirmou que é impraticável e antiético exigir que países em desenvolvimento paguem juros para combater o aquecimento global, o que ele classificou como um "financiamento reverso, fluindo do Sul para o Norte Global".
  • Troca de Dívidas: Defendeu os instrumentos de troca de dívida por ação climática como soluções viáveis, enfatizando que o enfrentamento da mudança do clima deve ser visto como um investimento, e não como um gasto.

? Taxação de Super-Ricos e Capital Privado

Lula ampliou a cobrança para entes privados, destacando que "sem incluir o capital privado, a conta não fechará". Ele argumentou que a maior parte da riqueza mundial recente foi concentrada por indivíduos ou empresas, enquanto os orçamentos nacionais encolheram. Para reverter essa lógica, o presidente propôs:
  • Tributação de Super-Ricos: Exigir uma maior contribuição de indivíduos pertencentes aos 0,1% mais ricos do planeta, que emitem, em um único dia, mais carbono do que os 50% mais pobres da população mundial durante um ano inteiro.
  • Imposto Mínimo: Implementar o imposto mínimo sobre corporações multinacionais e a tributação do patrimônio de super-ricos para gerar recursos valiosos para a ação climática.
Lula concluiu que a resposta para o desafio climático deve vir por meio do multilateralismo para construir uma nova era de prosperidade e igualdade.
Com informações: Agência Gov / PT
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