Em discurso na Cúpula do Clima em Belém (PA), o Presidente Lula argumentou que a crise climática é resultado da desigualdade e da exploração do Sul Global pelos países mais ricos. Ele propôs a taxação de super-ricos e a troca de dívidas nacionais por ações climáticas como instrumentos para financiar a transição justa e reverter essa "injustiça histórica"
O Presidente
Luiz Inácio Lula da Silva discursou na sessão temática dos 10 anos do
Acordo de Paris durante a
Cúpula do Clima (COP30) em Belém (PA), na última sexta-feira (7). Em sua fala, Lula estabeleceu uma associação direta entre a
crise climática e a longa trajetória de
exploração econômica e injustiças sociais praticadas internacionalmente. Lula iniciou seu discurso citando o geógrafo brasileiro
Josué de Castro e sua distinção entre crescer e se desenvolver, para argumentar que a crise atual só pode ser superada com
distribuição de renda e a
responsabilização dos mais ricos e dos grandes poluidores.
? Cobrança por Financiamento e Responsabilidade Histórica
O presidente brasileiro defendeu que o
Sul Global deve ter as oportunidades de desenvolvimento que lhe foram negadas e cobrou uma
maior contribuição financeira dos países que mais se beneficiaram historicamente das emissões de carbono. Lula criticou a atual lógica de financiamento climático:
- Financiamento Reverso: O presidente afirmou que é impraticável e antiético exigir que países em desenvolvimento paguem juros para combater o aquecimento global, o que ele classificou como um "financiamento reverso, fluindo do Sul para o Norte Global".
- Troca de Dívidas: Defendeu os instrumentos de troca de dívida por ação climática como soluções viáveis, enfatizando que o enfrentamento da mudança do clima deve ser visto como um investimento, e não como um gasto.
? Taxação de Super-Ricos e Capital Privado
Lula ampliou a cobrança para entes privados, destacando que
"sem incluir o capital privado, a conta não fechará". Ele argumentou que a maior parte da riqueza mundial recente foi concentrada por indivíduos ou empresas, enquanto os orçamentos nacionais encolheram. Para reverter essa lógica, o presidente propôs:
- Tributação de Super-Ricos: Exigir uma maior contribuição de indivíduos pertencentes aos 0,1% mais ricos do planeta, que emitem, em um único dia, mais carbono do que os 50% mais pobres da população mundial durante um ano inteiro.
- Imposto Mínimo: Implementar o imposto mínimo sobre corporações multinacionais e a tributação do patrimônio de super-ricos para gerar recursos valiosos para a ação climática.
Lula concluiu que a resposta para o desafio climático deve vir por meio do
multilateralismo para construir uma nova era de prosperidade e igualdade.
Com informações: Agência Gov / PT