A COP30 ocorre em Belém, uma cidade que pode se tornar a segunda mais quente do mundo até 2050, em um contexto de tragédias climáticas extremas no Sul do Brasil. Embora a presidência de Lula tenha méritos em reconstruir o multilateralismo e oficializar o TFFF (Fundo Florestas Tropicais para Sempre), ativistas e pesquisadores alertam que as soluções, ancoradas na financeirização da natureza, não enfrentarão o cerne do capitalismo, que devora os bens comuns. O grande destaque é a Cúpula dos Povos, que promete ser o maior espaço de mobilização civil da história das COPs no Brasil
A newsletter, escrita diretamente de Belém (PA), contextualiza a
COP30 em meio à urgência climática. Belém é citada como uma cidade que enfrenta uma projeção de
222 dias de calor extremo por ano até 2050, e a Amazônia, que a sedia, está
"literalmente fervendo". O texto contrasta essa realidade com a tragédia causada por um tornado de força incomum no Paraná, reforçando o alerta da ciência sobre o aumento de eventos extremos devido ao aquecimento atmosférico.
?? O Protagonismo e os Limites do Governo Lula
O autor reconhece os méritos do Presidente
Lula na reconstrução do
multilateralismo e do diálogo internacional. A franqueza do presidente ao admitir o fracasso dos países em cumprir o
Acordo de Paris e a proposição de "mapas do caminho" para o
desmatamento zero e a
superação da dependência de combustíveis fósseis são vistas como acertos na liderança brasileira. Entretanto, o texto impõe um limite claro à presidência brasileira:
"não haverá futuro possível sem enfrentar as bases do capitalismo que devora território, trabalho e bens comuns." ? Crítica à Financeirização e ao TFFF
O principal feito da Cúpula de Líderes foi a oficialização do
Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). O autor o classifica como um avanço dentro dos marcos das COPs, pois mobiliza recursos e cria um mecanismo permanente para proteger a floresta. Contudo, o texto critica o TFFF por ser uma
"aposta que finca pés na financeirização dos bens da natureza e na monetização de 'serviços ecossistêmicos'". A crítica ressalta que essa lógica do mercado tende a acirrar as assimetrias históricas entre o Norte e o Sul Global. Para movimentos populares e pesquisadores, quando a floresta é transformada em "ativo" e o risco em "spread", a
vida vira variável de modelo e a conta, essencialmente, não fecha.
✊ A Esperança da Cúpula dos Povos
A
mobilização popular é apontada como a "tônica" e um
"sopro de esperança" para a COP30. A
Cúpula dos Povos, que começa nesta quarta-feira (12) na UFPA e segue até domingo (16), é descrita como o
maior espaço de diálogo da sociedade civil na história das COPs feitas no Brasil. O evento buscará propostas baseadas na justiça climática, agroecologia, reflorestamento popular, defesa da água e moradia. O texto conclui que a diferença desta 30ª COP reside no "muito povo, dentro e fora dos pavilhões", com marchas, fóruns paralelos e articulações intercontinentais, sinalizando que a resposta virá da
reaproximação entre os que lutam.
Com informações: Brasil de Fato