Na sessão que marca o início da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima em Belém, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apelou à união global para enfrentar a "crise de desigualdade" que é a emergência climática. Lula cobrou a implementação efetiva de medidas já acordadas no Acordo de Paris e reiterou a confiança no papel da ciência como bússola, alertando que o mundo está "andando na direção certa, mas na velocidade errada"
Na abertura da
COP30, nesta segunda-feira, 10 de novembro, em Belém (PA), o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva deu as boas-vindas às delegações mundiais com um apelo urgente por uma ação ágil e baseada na ciência para combater os efeitos da crise climática. Lula alertou que a
"mudança do clima já não é ameaça do futuro. É uma tragédia do presente," citando o furacão Melissa no Caribe e o tornado em Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, como exemplos recentes de dor e devastação que atingem principalmente as populações mais vulneráveis. Ele definiu a emergência climática como uma
"crise de desigualdade" que aprofunda a lógica perversa de quem é digno de viver.
? Caminho e Velocidade
O presidente ressaltou que o
Acordo de Paris pavimentou o caminho correto para o futuro da humanidade, mas que a
velocidade da ação precisa aumentar: "Estamos andando na direção certa, mas na velocidade errada. No ritmo atual, ainda avançamos rumo a um aumento superior a um grau e meio na temperatura global. Romper essa barreira é um risco que não podemos correr," alertou. A
COP30 em Belém, segundo Lula, deve ser a
"COP da verdade," um momento para impor uma nova derrota aos negacionistas que "atacam as instituições, a ciência e as universidades" na era da desinformação. O embaixador
André Corrêa do Lago, presidente da COP30, que recebeu o cargo do presidente da COP29 (Mukhtar Babayev, do Azerbaijão), reforçou o conceito ao citar a palavra
"mutirão" (de origem indígena brasileira), que simboliza a atuação conjunta necessária para resolver as grandes questões globais.
? O Chamado de Belém e a Governança Global
Lula destacou a importância do
Chamado de Belém pelo Clima, um documento em três frentes que busca resgatar a confiança mútua e a mobilização:
- Apelo aos países: Para que cumpram seus compromissos (NDCs), garantam financiamento, transferência de tecnologia e capacitação para adaptação.
- Aceleração da Ação Climática: Por meio de uma governança global mais robusta, incluindo a proposta de um Conselho do Clima ligado à Assembleia Geral da ONU.
- Pessoas no Centro: Colocar as pessoas no centro da agenda, reconhecendo o impacto desproporcional do aquecimento global sobre populações vulneráveis e o papel dos territórios indígenas e comunidades tradicionais.
O presidente encerrou homenageando o povo do Pará e convidando os participantes a
"mergulharem na cultura local" e na culinária, lembrando que a Amazônia não é uma entidade abstrata, mas sim um lar de quase 50 milhões de pessoas e 400 povos indígenas, cuja realidade o mundo deve conhecer.
Com informações: Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República